Um exemplo onde a liberalização do comércio de gás natural deu certo: Europa.

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Em 2018, os países da União Européia importaram 401 bilhões de metros cúbicos (bcm) de gás natural. A Rússia e a Noruega continuam sendo os principais fornecedores de gás natural para a União Europeia. Alemanha (19,6%), Itália (15,8%) e França (12,1%) são os principais importadores de gás natural. Combinados, esses três países representaram quase metade (1/2) do total das importações de gás natural para a Europa em 2018.

 

Desde o início da primeira crise da oferta de gás natural entre a Rússia e a Ucrânia, em 2006, a União Européia seguiu uma vigorosa agenda de liberalização em uma tentativa de abrir o que ainda parecia uma grande manta de retalhos nos mercados nacionais de gás natural. Já se passaram 12 anos dessa crise. Analistas desse mercado concordam que os mercados de gás natural da União Européia mudaram radicalmente – e para melhor.

 

Hoje, os mercados de gás natural são muito mais líquidos na região. Cerca de 60%-70% de todo o gás natural vendido na Europa está sendo negociado abertamente em mercados competitivos. A maioria dos consumidores industriais agora podem escolher livremente seu fornecedor de gás. Existe concorrência entre eles. Foi uma mudança pró mercado.

 

Isto significou que grandes fornecedores como a Rússia não podem mais ditar suas condições. Os mercados da Europa Central e Oriental agora ganharam acesso a preços mais baixos e competitivos estabelecidos pelas forças do mercado. Gasodutos e centros de distribuição foram construídos. E quase todos os países europeus construíram terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) que lhes permitem importar gás natural de qualquer lugar do mundo em caso de necessidade.

 

A liberalização do mercado de gás natural na Europa continua a ser um marco da sua política energética recente. Este marco aconteceu também nos Estados Unidos com o gás de xisto (shale gas). No Brasil, alguns entendem que não vai dar certo com o gás natural do pré sal e a liberalização do nosso mercado. É muito pessimismo. Ou falta de argumentos.