Hoje, os EUA exportam mais GNL do que o Brasil disponibiliza de gás natural para o consumo interno.

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Nem sempre foi assim. Em 2014 e 2015, os EUA exportavam apenas 1,9% e 2,3%, respectivamente, do que o Brasil disponibilizava de gás natural para uso industrial e de consumo. Em 2018, os EUA já exportavam para o mundo 141,4% do nosso mercado, descontado o gás natural utilizado na E&P (exploração e produção) de petróleo. As exportações americanas cresceram 200% ao ano neste breve período.

 

Este valor da produção (milhões de m3/dia) disponível no Brasil representa o total produzido menos o volume de reinjeção e queima nos poços de E&P, menos o gás natural utilizado nas próprias plataformas e adicionado do gás natural importado pelo gasoduto da Bolívia e o GNL (gás natural liquefeito) importado pelo país, inclusive dos EUA.

 

Em 2018, as exportações americanas de GNL representaram apenas 3,3% do total produzido de gás natural nos EUA. Este mesmo valor (3,3%) é quanto o mercado brasileiro de GNL representa para as exportações americanas. Coincidência.

É este o grande desafio das ações e regulamentações para o Novo Mercado do Gás no Brasil, ou seja, fazer o mercado doméstico crescer (inclusive com mais importações de GNL) a partir da maior oferta do gás natural do pré-sal. Para tudo isto acontecer temos que ter preços mais competitivos para o uso industrial e de consumo doméstico e rodoviário. Se não, corremos o risco de sermos grandes exportadores de GNL como os EUA. Só que lá, a participação das exportações são pequenas (3,3%), quase a totalidade do gás natural gera energia e matéria-prima para o país.