ExxonMobil no 2T/2020: sem cortar dividendos e sem “impairment”. Que força.

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A ExxonMobil divulgou seus resultados preliminares do segundo trimestre (2T) de 2020. A ExxonMobil não deverá cortar dividendos para seus acionistas neste período e também não fazer o “impairment”, que é quando as empresas avaliam se o valor recuperável é menor que o valor contábil. Isto foi feito  por várias empresas com a crise atual da covid-19.  Quando é feito o “impairment” a empresa deverá efetuar o ajuste, debitando o valor calculado na conta de “despesa de perda por desvalorização de ativos”. Muitas empresas de energia o fizeram no 2T/2020, inclusive a Petrobras, BP e Shell.

 

Os investimento previstos pela ExxonMobil também não mudaram muito apesar de um ambiente de negócios de petróleo em rápida deterioração e o refino com margens muito baixas no mundo. Temos muito petróleo enquanto a demanda permanecerá sombria até onde podemos imaginar. Como falamos em análises anteriores, o equilíbrio no balanço oferta-demanda nos preços de petróleo está instável. Em suma, os preços do petróleo não subirão muito mais e, se isto acontecer, será apenas por um curto período, com base na produção de petróleo nos EUA, que não é regulamentada. Ela se move por outras condicionantes. Preços mais altos do petróleo significam que a produção dos EUA aumentará muito mais rapidamente. Assim, a OPEC + não ficará feliz e reverterá sua estratégia de aperto. De volta à estaca zero. Os preços com viés de baixa novamente.

 

Neste cenário de incertezas, as empresas americanas de energia como a ExxonMobil e a Chevron não realizaram ajuste do seus ativos (“impairment”). A ExxonMobil não está prevendo corte de seus  dividendos, mesmo com perdas no 2T/2020. Os preços do petróleo instáveis e as margens fracas no refino e no “downstream”, como a petroquímica, já pressionam seus resultados . Vamos ver como será o ano. Os analistas de mercado também estão muito voláteis com as suas previsões.