Efeito do COVID-19 ainda é uma incógnita no mercado de resinas recicladas.

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IMPREVISÍVEL. Não há palavra que melhor descreva a situação que se encontra o mercado de resinas recicladas no Brasil. Há quase uma década desenvolvendo projetos na área e há 6 anos acompanhando de perto a performance desse mercado para o MMR-Resinas Recicladas, nunca vi tamanha incerteza sobre o que está por vir.

 

Em meio à crise causada pela disseminação da corona vírus em território nacional, nossos hábitos de consumo mudaram, e a indústria como um todo (não só a de reciclagem) tenta se adaptar a esta nova realidade temporária.

Entretanto, no que tange exclusivamente à indústria de reciclagem, eis algumas incógnitas (e quem souber responder, com mais de 90% de certeza, por favor, me indica onde comprar a bola de cristal):

 

  • Vai faltar sucata plástica para a reciclagem? Já sabemos que vários sistemas de coletas seletivas municipais estão parando suas operações e que cooperativas de reciclagem estão fechando suas portas por tempo indeterminado. Sabemos também que uma parte da indústria de reciclagem ainda opera com estoques residuais formados em meses anteriores. Mas e quando precisarem ir às compras de sucata? Tendo em vista a coleta e segregação reduzida, vai faltar sucata?

     

  • O que vai acontecer com os resíduos que hoje não estão sendo coletados? Não se sabe o que está acontecendo com os resíduos plásticos que estão deixando de ser captados pelas coletas seletivas. Estão sendo dispostos junto com os resíduos orgânicos? Estão indo para aterros sanitários? Estão sendo armazenados até que tudo se normalize?

     

  • O enfraquecimento da demanda por produtos plásticos vai compensar a menor disponibilidade de matéria-prima para reciclagem? Ou vamos ter excesso de oferta no Brasil? O que vai “pesar” mais na balança? É possível que uma vez que a indústria de transformação de plástico diminua sua produção também diminua a procura por resina reciclada que, por sua vez, possui uma oferta limitada devido ao menor abastecimento de sucata. Mas será que este efeito será proporcional?

     

  • Os preços de resina reciclada cairão pelo mercado consumidor em retração? Ou subirão pela escassez de matéria-prima para reciclagem? Com os preços de resinas termoplásticas em queda nos mercados internacionais, propiciados pelos efeitos do COVID-19 e queda dos preços do petróleo, as resinas recicladas ficam pressionadas em preço pela resina virgem. Contudo, a menor disponibilidade de matéria-prima para reciclagem pode impactar em preços mais altos. Novamente, qual lado vai falar mais alto?

     

  • Quantas empresas irão parar temporariamente (ou permanentemente) suas atividades? Algumas empresas já estão paradas, divulgando recesso de 14 a 30 dias. Outras anunciaram parada por tempo indeterminado. Também têm aquelas que não pararam e que não têm intenção de parar. Nesse quesito verificamos uma diversidade bem grande quanto ao posicionamento das empresas. Mas, no geral, verificamos que o balizador é a exposição das empresas à performance dos segmentos atendidos. Destaque positivo para os setores de higiene pessoal, limpeza doméstica e alimentos, que se mostraram muito resilientes nesse primeiro momento de pandemia. Sentimento neutro para o setor de bebidas e destaque negativo para os setores automobilístico, construção civil e vestuário.

     

São muitas as incertezas.

 

Pessoalmente acredito que até final de abril não teremos uma resposta definitiva dos devidos impactos do COVID-19 para a indústria de reciclagem, mas certamente, ao longo do mês, vamos ter novos insights que irão nos subsidiar para traçar cenários de maior previsibilidade para os próximos meses.

Não gosto de concluir desta forma, mas é inevitável.