Economia brasileira: os filhos e as décadas perdidas.

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Eu dividi a economia brasileira em dois períodos. Contempla 120 anos, em períodos de 60 anos. Em um, meu pai nasceu. Em outro, eu e meus filhos. São períodos bem característicos. O primeiro, com um Brasil agrário e início da sua industrialização. O segundo, com uma indústria já consolidada, um agronegócio pujante e um serviço de base tecnológica engatinhando.

 

(i)  período de 1901 a 1960 e

 

(ii) período de 1961 a 2020.

 

Em parte destes anos eu convivi como estudante, profissional de uma empresa petroquímica e atualmente como empresário. E foi no segundo período (1961 a 2020), claro. Sou um jovem ainda, com muito a colaborar para a economia do meu país.

 

Se analisarmos, de modo simplificado, a riqueza de um país pelo crescimento de seu PIB per capita, posso dizer que já participei em duas décadas perdidas.

 

A primeira nos anos de 1981 a 1990, onde estava começando a trabalhar na petroquímica, e o crescimento acumulado do PIB per capita caiu -3,9%. Foram anos muito difíceis. Baixo crescimento e grande inflação. Tenho um filho que nasceu nesta época, se formou no Brasil, foi fazer mestrado fora e não voltou mais.

 

A segunda nos anos de 2011 a 2020, época recente, onde atuo como empresário, sou sócio da empresa MaxiQuim – que fará 25 anos em 2020, teremos um crescimento acumulado do PIB per capita estagnado. Deverá crescer 0,0%. Está sendo um período também difícil, mas como sou um eterno otimista, também tive um filho. Este está cursando o ensino fundamental.

 

Meu pai, no primeiro período (1901 a 1960), não pegou duas décadas perdidas. O PIB per capita cresceu bem mais. Os seus filhos estudaram no Brasil, em excelentes escolas públicas. E ficaram. Neste período o PIB da economia brasileira cresceu acima dos 10% (isto mesmo, 10%) em nove anos (1901, 1906, 1909, 1920, 1927, 1928, 1936, 1946 e 1958).

 

Já no meu período (1961 a 2020), como já visto, o PIB per capita cresceu bem menos, quando não caiu, e o crescimento do PIB foi acima de 10% apenas na década de 70, por cinco anos (1970, 1971, 1972, 1973 e 1976), quando eu estudava em boa escola pública. Já os meus filhos, décadas mais tarde, estudaram em boas escolas privadas, pois na época deles eram raras as boas escolas públicas.

 

Concluindo, ter filhos é algo emocionante e lindo, mas ter filhos no Brasil, nas décadas perdidas, você tem a grande possibilidade de vê-los querendo sair do Brasil para trabalhar. Como sou otimista, quero acreditar que o meu filho mais novo vai ficar no Brasil. E tomara que ele não tenha, como o pai, duas décadas perdidas. Depende de nós brasileiros.

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