20 anos do gasoduto Bolívia – Brasil. Uma história de sucesso.

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Sucesso para a Bolívia, com certeza. Afinal, neste período de julho de 1999 até hoje, ingressaram mais de US$ 30 bilhões de divisas para a Bolívia. Sucesso também para o Brasil, pois foi na época de sua inauguração que tivemos, em 2001 e 2002, a “crise do apagão” no setor elétrico brasileiro. O gasoduto Bolívia – Brasil em operação ajudou a manter nosso sistema elétrico mais estável. Se não tivesse ele, seria bem mais difícil.

 

O gasoduto Bolívia – Brasil tem 3.150 Km de extensão, sendo que na Bolívia ele tem 600 Km. Por ele já foram enviadas o recorde de 30,5 milhões de m3 por dia, em 2008. Já em 2018, a importação brasileira caiu para 21,6 milhões de m3 por dia. A Bolívia, em 2015, teve o recorde na sua produção total de gás natural, 61,8 milhões de m3 por dia, e tem na sua empresa estatal, a YPFB ( Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), a sua grande força.

 

A produção de gás natural pelo Brasil vem aumentando consideravelmente desde 2010 com os investimentos no pré-sal brasileiro, tendo a Petrobras a sua grande força. E devem aumentar ainda mais com a desregulamentação do setor no programa “Novo Mercado do Gás”. As diretrizes estabelecem quatro pilares:

  • Promoção da concorrência.

  • Integração do gás natural com os setores elétrico e industrial.

  • Harmonização das regulações estaduais e federal.

  • Remoção das barreiras tributárias.

O desenvolvimento deste novo mercado de gás natural no Brasil é extremamente importante para a reindustrialização do país, sendo que o gasoduto Bolívia – Brasil terá um papel ímpar nesta etapa, como também teve na sua criação. A participação das importações de gás natural do Brasil em relação a produção total de gás natural da Bolívia vem caindo. Já foram de 72,6%, em 2008 no seu pico, e no ano passado representaram 42,1%. Mais um desafio para este empreendimento, para a YPFB e para a Bolívia.

 

A YPFB já está buscando alternativas. Já selou um acordo para fornecer gás às unidades da gigante russa de fertilizantes Acron no Brasil. A Shell fechou acordo com a YPFB para compra de até 4,0 milhões de m3 por dia até 2022. A MSGás também fechou acordo com a estatal para comprar 1,2 milhão de m3 por dia. A petroquímica Braskem conseguiu com a ANP uma autorização de “carregamento de gás natural”  que é o pré-requisito para que a empresa participe de licitações para compra de gás natural e posteriormente para a assinatura dos contratos de transporte.

 

A Bolívia tem grandes oportunidades de participação na distribuição de gás natural no Brasil. E a indústria química é um grande potencial e poderá se tornar um importante mercado para a Bolívia. Existem negócios se concretizando com grandes empresas, mas também existirão enormes oportunidades em médias e pequenas empresas industriais no Brasil. Neste segmento, o papel das empresas comercializadoras de gás natural será muito importante. Serão um braço comercial para a YPFB. Quem sair na frente vai desbravar este novo mercado com vantagens, assim como foi na construção do gasoduto Bolívia – Brasil em 1999.