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O beneficiamento de materiais recicláveis, processo de lavagem, moagem e aglutinação dos resíduos, eleva de 100% a 300% o valor de sua venda, comparado ao preço praticado para os produtos triados, comercializados em fardos. Esta foi uma das conclusões da pesquisa promovida pelo Camp e a consultoria MaxiQuim, ao longo de 2009, sobre o Mercado de Reciclagem no Rio Grande do Sul, com financiamento da Fundação Banco do Brasil e apoio da Fundação Vonpar, Braskem e Secretaria Estadual da Justiça e do Desenvolvimento Social.
Segundo Solange Stumpf, diretora da MaxiQuim, o objetivo do estudo realizado pela empresa foi avaliar o estágio atual em que se encontra a cadeia de reciclagem de resíduo pós-consumo no Estado do Rio Grande do Sul, visando identificar oportunidades de negócios para os centros de triagem, de forma a agregar valor aos seus produtos.
O estudo avaliou aspectos abrangentes sobre as condições de comercialização dos resíduos, como quantidade produzida e preço de venda, identificando oportunidades de negócios. Foram coletados dados relacionados às necessidades e gargalos na cadeia de fornecimento de resíduos recicláveis, apontadas por 83 indústrias de reciclagem no estado.
Segundo a pesquisa, pelo menos 43% do volume de material reciclável coletado no estado, são papéis, entre jornais, revistas, caixas tetrapak e papelão. O produto também é o mais processado pela indústria de reciclagem gaúcha e um dos mais lucrativos para as cooperativas de recicladores. Embora elevada, a produção no RS é bastante sazonal, afetando preços e disponibilidade no fornecimento do resíduo para a reciclagem. A maior parte do material é transformada no próprio estado, sendo as principais aplicações as embalagens de papelão ondulado e o papel higiênico.
Depois do papel, o plástico é o segundo material mais coletado, representando 37% da produção estadual. O montante arrecadado, todavia, não é totalmente aproveitado pela indústria, que consome mensalmente 5,5 mil toneladas ao mês. Maior parte deste volume é proveniente de resíduos domésticos, mas aos poucos cresce a procura para o tipo industrial, devido à qualidade.
Nos últimos anos, houve uma profunda mudança de perfil da indústria recicladora do plástico, que agora busca por materiais intermediários no processo de reciclagem, como o aglutinado, para se focar no produto final. Neste mesmo tempo, um grande número de empresas fechou ou deixaram de reciclar o material, abrindo espaço para o surgimento de outras novas. Estas companhias são de pequeno porte, que se destacam por um consumo maior e a compra preferencial de resíduo industrial.
No Rio Grande do Sul, a renda média de um reciclador nas unidades pesquisadas é de R$ 533. Apesar das melhorias alcançadas recentemente, ainda há muito que melhorar para expandir a comercialização dos resíduos coletados e conseqüentemente elevar a renda dos trabalhadores. A pesquisa apontou que entre as alternativas para atingir este desafio é a busca por novas fontes de material reciclável pós-consumo, como o material não- doméstico, a fim de qualificar o produto triado. Há ainda, entretanto, a necessidade de implantação de melhorias contínuas no processo de separação, visando incrementar o valor dos produtos vendidos. Neste sentido, o beneficiamento do plástico, com os processos de lavagem, moagem e aglutinação é extremamente importante para agregar valor ao produto.
Outra saída é o trabalho em consórcios de centros de triagem, visando fortalecer as atividades de comercialização e logística do material triado. Aproximação com a indústria de reciclagem é um caminho viável, pois esta é super receptiva ao trabalho dos centros de triagem, porém antes disso, é preciso resolver o problema de carência no fornecimento de material pós-consumo com qualidade.
Local: Sociedade dos Amigos da Vila Assunção, Porto Alegre, RS
Palestrante: Solange Stumpf
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