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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica

O crescimento econômico robusto e sustentado – diferente dos vôos de galinha tradicionais no Brasil – exige que o país tenha uma indústria forte, competitiva internacionalmente. Isso fica muito claro num cenário onde as exportações são baseadas em commodities e o desempenho fica condicionado às variações de preços internacionais.
O grande aumento das importações ocorrido em 2010 traz algumas reflexões sobre os diferentes perfis que podem existir na pauta:
- incremento principal das importações de produtos finais, substituindo os produzidos localmente.
- incremento principal das importações de bens de capital como máquinas e equipamentos, o que fortalece a indústria nacional.
Nesse segundo ponto, há de atentar se o crescimento não está baseado principalmente em máquinas e equipamentos agrícolas, o que mostra um investimento cada vez maior na exportação de commodities, sem focar na indústria em si.
O Brasil é um grande exportador de commodities e deve sim se beneficiar da alta na demanda mundial, que deve continuar nos próximos anos, principalmente sustentada pela China e Índia. Porém, a indústria não deve ser deixada de lado, sob pena de ocorrer desindustrialização, a temida doença holandesa. Os benefícios oriundos de um cenário favorável às commodities devem ser utilizados para a diversificação da pauta de exportações, de moda a tornar o país menos vulnerável em termos das contas externas.
A pesquisa recente divulgada pelo CNI mostra que 92% das empresas consultadas pretendem investir em 2011, e 78% do montante terá como destino o atendimento do mercado interno. O valor médio dos investimentos previstos para 2011 deverá ser 7% maior do que os realizados em 2010. Dado importante é que os investimentos em voltados à inovação devem ser o dobro dos realizados em 2011, o que mostra a preocupação do setor industrial em melhorar a competitividade. Tais resultados indicam que, pelo menos no curto prazo, a indústria está buscando crescimento.
Acredito que com o cenário atual, onde o Brasil se mostra com um mercado interno forte, com ambiente favorável às exportações de commodities, com perspectivas de recursos abundantes oriundos do pré-sal seja o momento de investir fortemente (e seriamente) no papel da indústria no país. Tal investimento não poderá abrir mão de políticas mais atuantes do Estado, definidas em conjunto com o setor industrial, de modo a otimizar os resultados.
Incentivos? Sim, porém com cobrança de metas, resultados, de modo que, quando retirados, resultem em setores mais competitivos. Políticas de longo prazo devem também fazer parte da agenda, talvez tendo a educação como alvo principal.
A tarefa é imensa e árdua, mas precisa ser realizada, de modo a deixarmos pra trás, definitivamente, os vôos de galinha. E poderá ser mais bem sucedida se iniciada em períodos de “bonança” na economia brasileira.

Após e eclosão da crise em setembro de 2008, uma das principais políticas adotadas em cada país foi o aumento dos gastos públicos, em proporções inéditas. A medida em si está de acordo sob o ponto de vista dos ciclos econômicos: em cenários de queda na demanda, aumentar o gasto público é sensato, assim como realizar políticas fiscais de estímulo ao consumo interno. A principal dificuldade nesse caso é de ordem temporal: qual o melhor momento de intervir com tais políticas, e depois, qual o melhor momento para encerrá-las?
Recentemente houve o encontro do G20 para a discussão do tema, no qual os países industrializados com fortes desequilíbrios nas contas públicas concordaram em reduzir pela metade seus déficits no orçamento até 2013 e estabilizar ou reduzir a relação entre dívida pública e o PIB de cada país até 2016.
Ainda há o debate em função das decisões, uma vez que, embora tais países encontrem-se com altos níveis de déficits públicos, eles ainda apresentam sinais da recessão, como por exemplo altas taxas de desemprego, indicando não ser o melhor momento para encerrar as políticas de incentivo à demanda e nem para promover medidas de cunho ortodoxo que levam à redução do défict público.
As medidas de retirada dos incentivos são empregadas quando determinada economia já mostra sinais claros de recuperação, o que não não parece ser o caso atual. Não há prazos determinados para o final de cada recessão, o que dificulta estabelecer prazos nas metas de redução de défictis públicos. O controle do défict é sim muito importante, porém, o grau de ajuste deve ser avaliado em cada contexto e monitorando-se outras variávies, como desemprego, por exemplo.
As consequencias de tais ajustes serão sentidas na economia mundial, com a redução do PIB. Para os países emergentes como o Brasil, talvez a principal seja em relação ao fluxo comercial. No cenário de ajuste, os países emergentes têm a moeda valorizada, e a importação tende a crescer, enquanto o contrário ocorre para os países ricos. Assim, nesse período, as empresas brasileiras que possuem excedentes para exportação sentirão o impacto de forma mais direta , uma vez que a concorrência com produtos importados tende a aumentar, e o mercado para exportação estará mais concorrido.
O crescente mercado interno brasileiro tende a ser mais disputado mundialmente e as empresas exportadoras terão que ser ainda mais competitivas. Tarefa que pode ser árdua num momento em que as importações já são crescentes em função de um mercado interno aquecido e de taxas de juros crescentes. No Brasil pós crise, os incentivos ao consumo interno precisam dar lugar aos incentivos ao investimeno privado bem como a uma agenda de reformas, para que o Brasil consiga ser o principal beneficiado do seu próprio crescimento.
É interessante a opinião de que a intervenção do estado se faz presente de forma correta e eficaz nos momentos de crise global. Se eu não fosse economista diria que se trataria de um momento especial e oportuno para se colocar a sujeira para debaixo do tapete, mas como não se trata disso e eu não sou político também concordo com as intervenções sim. Não vejo em situações normais governos capazes de tomar decisões não convencionais viáveis para a solução de problemas como falta de produtos e desequilíbrios da balança comercial de seus países.
Foram bons os resultados do 1trim 2010/ 1trim 2009 para a indústria de produtos químicos de uso industrial: crescimento de 16% tanto em produção quanto em vendas. Além do bom desempenho do mercado interno, a fraca base em 2009 colaborou para tais resultados. Dados do setor indicam que os níveis atuais de produção são muito próximos aos verificados em 2008, no mesmo período. No entanto, quando se analisam os dados das vendas internas, observa-se que o patamar em tal período é bem inferior tanto a 2007 quanto a 2008, como mostra o gráfico acima.
Maiores níveis de importação, tanto de produtos químicos quanto de produtos acabados podem explicar essa diferença. Com o cenário de demanda aquecida e o Real valorizado, as importações são favorecidas. O suprimento da demanda crescente (PIB real) por importações é um sinal claro de necessidade de investimentos, a fim de se incrementar o PIB potencial. No entanto, a ameaça de inflação num cenário como esse exige medidas como alta de juros, que por si só é um fator de desestímulo ao investimento, limitando assim o crescimento.
Muitos investimentos na indústria química brasileira já foram anunciados, e a previsão é de que até 2020 muitos outros sejam feitos. O que pode garantir certo otimismo em tais expectativas é de que tais investimentos são contemplados através do Pacto Nacional da indústria Química, lançado no final de 2009 e que propõe a adoção de uma série de medidas pelo governo, como a garantia de disponibilidade de matéria-prima, a desoneração da cadeia produtiva e a isonomia tributária. Num cenário como o atual, a adoção de medidas diferenciadas para o investimento faz-se necessária.
... desconsiderando as importações de PVC. Nos primeiros quatro meses de 2009, a importação de resinas termoplásticas (PP, PEs, PS, PET e PVC) registrou queda de 5% no volume. Porém, se excluirmos o PVC da lista, o perfil muda completamente e se obtém um crescimento de 14,7% para o mesmo período.
O PVC, que em 2008 puxou o crescimento das importações, hoje é a resina que direciona a queda. Assim, temos que separar a análise, demonstrando que as importações de resinas ex-PVC estão ganhando importância novamente em 2009.
No ano de 2009 o cenário no mercado doméstico de resinas foi de ajustamento dos preços domésticos na direção de preços praticados em algumas regiões no mundo. No entanto, a recente valorização do real frente ao dólar torna essa diferença, que estava diminuindo, na direção de se afastar novamente.
Nesse contexto, fica claro que o ganho de competitividade da indústria petroquímica brasileira com a valorização do real frente ao dólar mostra-se cada vez mais importante para a manutenção das vendas no mercado interno...e não somente para as exportações.
O ambiente de incerteza em relação aos reflexos da crise econômica no mercado brasileiro ainda persiste, porém algumas certezas podem ser visualizadas. A principal delas é de que o crescimento brasileiro será menor em 2009. Diante de tal afirmação, logo surgem dúvidas, as quais pertencem a um terreno ainda bastante nebuloso. Como exemplos, posso citar:
- Qual será o novo patamar da demanda no Brasil, estabelecido após esse período de ajuste da oferta ?
- Quais as diferenças no impacto da crise na demanda, nos mais diferentes segmentos da economia?
Quando se analisa os impactos na indústria do plástico, deve-se ter em conta tais questionamentos, uma vez que tal indústria está presente em praticamente todos - senão todos - os setores da economia brasileira: do grão ao cosmético. Sendo assim, uma análise generalizada corre o risco de ser incerta além dos limites de incerteza que o ambiente atual permite avaliar.
Os setores que possivelmente mais afetarão negativamente a indústria de plástico são a agroindústria e o setor automobilístico. A primeira é consumidora de plásticos principalmente nas embalagens de grãos, fertilizantes e agroquímicos, além das peças técnicas utilizadas em tratores, colheitadeiras, etc. Com a crise, a principal ameaça é a queda na produção, que pode ser ocasionada pelo endividamento do produtor e também pelos problemas climáticos. Os principais fatores que podem levar o produtor ao endividamento são o baixo preço das commodities e a escassez e o encarecimento do crédito.
A indústria automobilística já registra quedas de produção, decorrentes do ajuste na oferta. O setor vinha aumentando constantemente a produção, tendo que criar diferentes turnos nas fábricas para atender ao mercado. Tudo isso será revisto, de modo a atender o novo patamar, aquele, ainda desconhecido. Ainda, setores fortemente voltados para a exportação também serão bastante afetados, uma vez que tal mercado encolheu, embora o câmbio seja favorável ao exportador.
Outra das certezas que pode ser visualizada: há oportunidades também. Talvez a mais saliente de todas, especificamente para a indústria do plástico seja a substituição de produtos importados pela produção nacional. Em 2008, de acordo com nossas análises, o setor de transformação de plásticos registrou aumento, em valor, de 35% nas importações, comparando com 2007. Para as exportações, foram 13% de aumento. Houve aumento de 86% no déficit da balança, também em relação a 2007. O cenário favoreceu a importação em 2008, principalmente com a valorização do real frente ao dólar, o que se inverte agora em 2009.
Assim, um dos desafios do setor para 2009 é atuar mais fortemente em tal oportunidade. Além de ser uma forma de diminuir os impactos da crise, isso pode acabar com a trajetória de sucessivos recordes nas importações de produto plástico transformado, além de fortalecer a indústria nacional.
Boa tarde profª Tais, Gostaríamos de convida-la para ministrar uma palestra na FATEC-MAUÁ, para os alunos do Curso de Tecnologia em Produção de Materiais e Produtos de Plástico. Aguardamos contato. Atenciosamen te, Iran Silveira FATEC-MAUA Fone: 11 - 4543-3221
Os setores que até o momento mais demonstraram efeitos negativos da crise no Brasil, refletindo em quedas de produção, foram o automobilístico e o de eletrodomésticos / eletroeletrônicos. Tais segmentos consomem principalmente polipropileno e poliestireno. Em 2007 o consumo somado das duas resinas em tais segmentos foi da ordem de 200 mil toneladas.
Ambos os setores registraram crescimentos importantes nos últimos anos, sendo exemplos dos que foram fortemente beneficiados com a ampliação do crédito, um dos principais mecanismos que alavancou o crescimento do consumo do Brasil, deslocando inclusive, as maiores taxas de crescimento do consumo de bens não-duráveis para os bens duráveis.
Até o momento, um dos principais efeitos da crise no país foi a limitação do crédito e também a incerteza gerada em relação ao futuro, que faz com que as pessoas pensem muito mais antes de contraírem dívidas. A conseqüência natural de tal cenário, e que não surpreende, é que setores calcados justamente no crédito facilitado fossem os potencialmente mais afetados.
Vejamos mais de perto o setor automobilístico. O perfil de destino das vendas mudou de alguns anos para cá. Em 2005, a exportação respondeu por 35% da produção, enquanto que em 2008 – com dados acumulados até outubro, o percentual é de 21%. Ou seja, hoje o desempenho do setor está muito mais relacionado com o crescimento do mercado brasileiro que as vendas no exterior, embora não se possa desconsiderar a importância da exportação.
O setor de eletrodomésticos teve grande parte do crescimento dos últimos anos baseada em substituição de aparelhos – videocassete pelo DVD, TVs de tubo por TVs de tela plana, por exemplo. Antes mesmo de se tomar conhecimento na crise, o setor já estimava taxas de crescimento mais moderadas, uma vez que a base ficou maior. Porém, tal arrefecimento veio antes do previsto e com maior impacto. Por outro lado, esse é um dos setores que pode ser beneficiado com a desvalorização do real frente ao dólar, uma vez que a importação de tais produtos foi nos últimos anos uma limitação para um crescimento maior da produção local.
O Boletim Focus da semana de 21/11, divulgado pelo Banco Central estima para 2009 um PIB de 3% considerando o cenário atual. Ou seja, a previsão continua sendo de crescimento, porém menor. Considerando as estimativas anteriores, que eram de 5% a 6%, é natural que os planos de investimentos sejam revisados. Até o momento, as ações que as empresas de tais setores estão realizando no país são em função de ajuste da produção a esse novo cenário. Assim, é esperado que nos primeiros meses de tais adequações se observe queda na produção, o que não irá comprometer os bons resultados de crescimento em 2008. Tais resultados irão refletir no consumo de resinas termoplásticas que, considerando o crescimento dos setores demandantes de tal matéria-prima, calculamos que será em torno de 8% em 2008 - percentual para o total de PE’s, PP, PS e PVC.
A crise poderia ter impactos mais agressivos - bem mais demorados de serem sanados - caso outros indicadores como a taxa de desemprego e por conseqüência, o consumo das famílias estivessem comprometidos. Mas o governo brasileiro, assim como observado na China, por exemplo, está realizando medidas com o intuito justamente de manter tais indicadores nos níveis positivos de hoje. Além disso, medidas em relação à manutenção da oferta de crédito também estão sendo realizadas. Ainda, imagina-se que nos primeiros meses de 2009 o cenário em relação à crise estará mais claro, o que pode eliminar a incerteza atual no momento do consumo – que dará lugar ao melhor entendimento dos reflexos da crise.
Assim, estimamos também um cenário de crescimento para 2009, e especialmente para o caso das resinas, nossa expectativa é de 6,5% na demanda, que considera a produção somada às importações. Portanto, as taxas em 2009 serão menores, é verdade, mas estaremos crescendo, o que não deixa de ser uma ótima notícia, considerando a recessão já confirmada nos EUA e em alguns países da Europa.
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