Ainda não é cadastrado? Preencha seu cadastro para receber conteúdos exclusivos.
O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
Como muitos dos executivos da indústria química brasileira, me mudei para os EUA nas últimas duas semanas, quando esse importante segmento da economia costuma se reunir anualmente em congressos e conferências, seja em Houston ou San Antonio, ambas cidades do estado do Texas. Depois de fazer esse caminho por vários anos em sequência, já é possível comparar momentos, ter um olhar em perspectiva. E reportar, porque afinal, é esse um dos cacoetes dos consultores.
Nesses últimos anos foi possível presenciar a extrema dependência de importações de petróleo e suas profundas implicações econômicas e geopolíticas, que até hoje persistem. Depois, assisti exuberância proporcionada pelo petróleo a US$ 150 por barril e o gás natural US$14 por MMBtu, que foi seguido pela profunda crise de 2008 e 2009 e consequente queda de preços e demanda. E, mais recentemente, notamos o incrível renascimento da indústria e da economia, sobretudo na região do golfo, provocado pela revolução tecnológica que representa o shale gas (gás de xisto). Essa nova etapa representa um crescimento sem precedentes pelo lado da oferta, que levou os preços do gás natural a estacionar em um patamar de US$ 3 por MMBtu, cerca de 70% menos que em 2008. Há um evidente novo momento para a indústria de energia americana e seus apêndices, onde a indústria química se encaixa, e esse momento não pode ser mais virtuoso.
Depois dessas experiências, já não resta mais dúvidas a respeito da capacidade dos EUA de se reinventar quando as coisas vão mal, ou de surfar a onda quando as coisas vão bem. Os imensos investimentos que se acumulam em exploração e produção de fontes fósseis e renováveis de energia, bem como na capacidade de transporte e na geração de energia elétrica, estão sendo seguidos por igualmente gigantescos investimentos em capacidade adicional de separação de matérias-primas para produção de produtos químicos e petroquímicos. Isso somado à fantástica expansão da indústria química chinesa baseada em carvão nos leva a crer que a indústria química mundial está mudando mais rápido atualmente que em toda a história recente.
Pegando esses dois exemplos mais evidentes, notamos o seguinte: por um lado, uma incrível máquina de criação de valor a partir de dinâmicas privadas, negócios fundamentados em balizas econômicas bem definidas, regras claras e, sobretudo, liberdade, liberalismo e pouca influência governamental. Do outro lado do mundo, há uma impressionante capacidade de crescimento gerada a partir de política centralizada, de regras criadas em reuniões do partido e aplicadas de cima para baixo, em que a participação privada internacional é bastante comedida.
No meio do caminho ficaram europeus, latino-americanos e outros menos cotados, que aparentemente falharam em criar as melhores condições para o investimento privado e tampouco as determinações oficiais dão respostas rápidas o suficiente para acompanhar, ainda que de longe, o ritmo das principais nações. Os europeus, ainda pior, sequer logram manter o ritmo de crescimento do consumo, o que, absolutamente, não é o caso da América Latina, onde o problema reside pura e simplesmente no lado da oferta.
Obviamente, simplificar o problema brasileiro pelo lado da oferta barata de matéria-prima não funcionou, pois do outro lado há uma empresa controlada pelo governo com dois chapeus: um privado, pois deve gerar valor para seus acionistas, e um público, que precisa evitar altas de preços de combustíveis de modo a manter a inflação sob controle e, dessa forma, cumprir um importante papel social. Até seria possível fazer tal demanda se houvesse abundância de recursos, tanto de capital como material, o que também não é o caso, haja vista o crescimento assombroso das importações de derivados de petróleo e produtos químicos em anos recentes, além da necessidade da Petrobras de fazer caixa, desfazendo-se de ativos.
Chegamos então ao grande impasse: não podemos dar essa missão exclusivamente à Petrobras, pois essa tem outra missão por demais desafiadora: a de desenvolver o pré-sal, fazer crescer a produção de derivados e contribuir para o desenvolvimento da indústria de serviços e equipamentos. Também não podemos pedir ao setor privado, pois o mesmo foi praticamente alijado dessa discussão, quando à Petrobras foi garantido o monopólio da exploração do pré-sal, como única operadora e como acionista em todos os blocos de exploração. É interessante refletir como pensaria um gestor da empresa, que agora se vê obrigado a participar da exploração de blocos incluindo os que, a princípio, não seriam de seu interesse. Mas enfim...
Pelo lado do gás natural, além de ter menor importância no radar da Petrobras, há ainda toda uma rede de transporte e distribuição a ser construída, que em grande medida depende da gigante estatal, pois a mesma se faz onipresente nas duas pontas. Gás esse que tampouco pode ser regalado às empresas privadas de energia e químicas, pois não justificaria os investimentos que se fazem necessários para seu desenvolvimento.
A solução desse nó certamente não pode ser simplificada a duas ou três medidas milagrosas, mas sim a um plano, um pacto, uma reforma estrutural que reinvente a economia de um país inteiro e seja sustentável dos pontos de vista econômico, social, ambiental e, ainda que minimamente, político. Uma discussão séria e profunda levando em consideração todo o novo ordenamento mundial e suas implicações, dando a cara brasileira a um projeto de país.
Ironia das ironias, teríamos construído a indústria química a partir de uma política centralizada, baseada em programas de substituição de importações, quando não tínhamos recursos energéticos no país. Mas assistimos ao seu sofrimento, perda de participação, redução de investimentos e fechamento de plantas justamente no momento em que nos preparamos para ter o maior crescimento da indústria de petróleo e gás da história, que pode tardar, custar caro e gerar gargalos, mas certamente não falhará.
Todos já sabem o que significa BRIC. Nós, que fazemos parte da indústria petroquímica e de plásticos, também já sabemos que o centro nervoso de nossa indústria em nível global é Houston, Texas. Também é sabido que alguns dos principais consultores em nível global para a indústria petroquímica têm seu QG em Houston.
Os consultores do CMAI, a principal empresa de consultoria desse setor em nível internacional - baseada em Houston - também já sabem que o mundo mudou e que os BRICs tendem a ganhar relevância no contexto global, tanto do ponto de vista social e econômico como da indústria petroquímica e de plásticos.
O Brasil é o único BRIC do ocidente, é o mais pacifista deles, o que tem mais água potável, fontes de energia renováveis, é auto-suficiente em petróleo e é uma democracia. Descobriu enormes reservatórios de petróleo e gás recentemente e, nos próximos cinco anos, vai sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Não há dúvida sobre as razões que levaram o Brasil a figurar no mapa das grandes corporações globais.
Mais uma evidência do novo status do Brasil no contexto global é a vinda de alguns dos principais consultores do CMAI para um seminário de um dia completo em São Paulo, durante a 13ª edição da maior feira de plásticos do hemisfério sul, a Brasilplast. A exposição ocorre de 9 a 13 de maio e o seminário do CMAI é no dia 10 de maio.
O que se debaterá em Houston durante dois dias, no World Petrochemical Conference, também organizado pelo CMAI, será condensado em um programa de um dia, pela primeira vez em solo brasileiro. É uma oportunidade única para ficar frente a frente com os maiores especialistas do setor no mundo. Marque na sua agenda.
O que:Latin American Petrochemicals and Polymers Conference
Quando: 10 de maio de 2011
Onde: Holiday Inn Parque Anhembi, São Paulo, SP
Inscrições online: www.cmaiglobal.com
Todos sabemos de onde vem a nova onda de capacidade de produção de resinas termoplásticas. Sabemos, também, que tal onda vem embalada por uma matéria-prima extremamente competitiva: o gás natural. Essa matéria-prima tem um custo baixo, subsidiado pelas petroleiras árabes, de modo a atrair investimentos importantes para a indústria local. Esses investimentos já estão realizados. A maioria das plantas está pronta para operar. Algumas já estão rodando.
Só que há um detalhe: o gás natural disponível para a petroquímica na Arábia Saudita é gás associado. Ou seja, só é produzido se houver também a produção de petróleo. Pois bem, tem sido essa uma das principais explicações para os constantes atrasos na tal onda de novas capacidades dos países árabes. Com a demanda por petróleo ainda abaixo dos níveis de 2006, algumas fontes indicam que a produção da Arábia Saudita gira atualmente ao redor de 8 milhões de barris por dia, quando seriam necessários 10 milhões por dia para disponibilizar a quantidade de etano necessária para a operação dos crackers à plena capacidade.
Conforme recente artigo na Business Week, em abril o reino da Arábia Saudita produziu 209 mil barris diários acima da cota estipulada pela OPEP, o que lhes deixa com pouca margem de manobra para incrementar a produção e disponibilizar mais etano para os crackers. É aí que reside o problema: aumentar a cota junto à OPEP significaria que outros países membros teriam que reduzir as suas, já que oferta maior, com a mesma demanda, significa queda dos preços. E isso, ninguém na OPEP quer.
Sem produção maior na Arábia Saudita, não vai haver etano suficiente para operar os novos crackers em nível elevado. E se o preço do petróleo cair, será ainda pior.
Não há dúvida que essa década está sendo marcante na história do Brasil. O país é hoje referenciado internacionalmente pela estabilidade econômica e política, a força de suas instituições e, mais recentemente, de suas empresas. De tempos em tempos há uma empresa brasileira tornando-se player mundial em algum tipo de produto. Há diversos exemplos: do agronegócio à aviação; do petróleo à cerveja; dos bancos à mineração.
Nós, que conhecemos o país, às vezes somos críticos de parte ou partes de um determinado modelo de desenvolvimento. Já os estrangeiros, passaram a admirar o que está acontecendo aqui, ainda que tenham seus próprios pontos de vista sobre um ou outro tema, sem deixar de perceber que o todo vai bem.
O Brasil hoje tem assento nos principais fóruns globais sobre qualquer assunto relevante. Isso aumenta o grau de exposição. Não foi por acaso que o presidente deposto de Honduras se refugiou em nossa embaixada. Não haveria tamanha repercussão se o refúgio fosse em um país sem tanta visibilidade.
Estamos sendo observados de perto e de longe. As estratégias dos grandes players mundiais, nos âmbitos políticos e empresariais, contemplam ao menos uma referência ao Brasil. Bem diferente de poucos anos atrás, quando éramos incluídos no grupo do “Rest of the World”.
Também a petroquímica brasileira desatou seus nós em poucos anos, livrou-se de gargalos societários e operacionais. Buscou a integração, primeiro entre monômeros e polímeros. Mais recentemente, com seu enorme peso econômico, a Petrobras se tornou um elo a mais nessa integração.
Nós brasileiros às vezes nem percebemos o que está ocorrendo aqui, pois vamos aos poucos absorvendo, entendendo e nos adequando.
Mas os estrangeiros, vizinhos ou não, percebem com clareza que o país mudou, e com ele a indústria petroquímica. Houve um tempo em que se achava que a internacionalização das empresas brasileiras era sinônimo de aventura. Hoje é uma tendência inexorável. Não parece haver dúvida que o país terá as empresas líderes na região também nessa área. E os vizinhos já estão se preparando para isso.
Se no quarto trimestre de 2008 o mundo parecia que ia acabar, agora aparentemente as notícias somente nos fazem acreditar que o pior já passou. Os principais fatos:
- a grande maioria das bolsas de valores mundo afora acumula ganhos elevados em 2009, com destaque para os países BRICs, com ganhos de mais de 60% em dólares, apesar de Brasil, Rússia e China ainda não terem atingido o mesmo índice de junho de 2008.
- o dólar voltou a perder força frente a outras moedas. No Brasil já está próximo de R$ 1,90, enquanto na comparação com o Euro, Libra e Iene, a moeda americana também vem em tendência de baixa.
- os preços das commodities bateram no fundo em dezembro e começam a voltar a um patamar alto de preços. Por exemplo, o petróleo já rompeu a barreira dos US$ 70 sem ter tido grande impacto pelo lado da oferta.
- a demanda e a produção industrial na China voltaram a crescer acima do previsto depois de meses em desaceleração.
Como esperado, no Brasil a munição que o governo tinha à sua disposição foi usada com critério e correção. Estamos vivendo uma era de juros historicamente baixos para padrões brasileiros (apesar de ainda encabeçar rankings mundiais) e cortes de impostos em setores mais sensíveis como bens duráveis e construção civil. Talvez o erro tenha sido apenas no timming.
Mas tudo isso significa que a economia ainda tem debilidades, pois com juros baixos e impostos menores, em outros tempos, já estaríamos vendo recordes de vendas e produção. Há ainda a falta de confiança do consumidor brasileiro e a queda na demanda externa. Sem essas duas alavancas, o nível de produção da indústria continuará abaixo do ano passado.
Mas quais seriam os sinais mais evidentes de que a recessão teria chegado a seu final no Brasil? Arrisco algumas respostas:
- a indústria voltar a patamares próximos ao do ano 2008. A distância ainda é muito grande, com maio fechando em 12,4% abaixo do mesmo mês do ano passado.
- o índice de desemprego voltar a recuar, pois há alguns meses permanece em nível próximo a 9%.
- os empresários voltarem a investir como faziam até o ano passado. O destaque negativo quando da divulgação do PIB do primeiro trimestre foi que a Formação Bruta de Capital Fixo (que significa investimento) havia recuado 12,6%, sendo esse o pior desempenho da série histórica, que foi iniciada em 1996.
Mesmo assim, arrisco a dizer que não teremos um período sem solavancos nos próximos trimestres, pois a economia globalizada faz com que os riscos sejam também globais. Há cenários de todos os tipos nesse momento, sendo que geralmente temos a tendência de ignorar os piores e acreditarmos naqueles que nos convêm.
Apenas quando os empresários tiverem confiança suficiente para retomar os investimentos, contratar mais funcionários e fazer a economia voltar a girar na mesma velocidade de 2008 é que teremos de fato deixado a recessão para trás. Infelizmente ainda não é possível visualizar essa conjunção de fatores.
Em 2008, todos os números da balança comercial de produtos plásticos transformados foram recordes na série histórica acompanhada pela MaxiQuim. O total de importações fechou em US$ 2,49 bilhões, as exportações totalizaram US$ 1,45 bilhão e o déficit comercial bateu pela primeira vez a casa de US$ 1 bilhão.
O mês de setembro de 2008 foi o maior em importações e exportações de produtos plásticos de toda a série histórica, desde 1996. De outubro em diante, as importações caíram rapidamente, enquanto as exportações se mantiveram relativamente estáveis. A tendência de alta nas importações era observada de forma ininterrupta desde abril, assim como o déficit comercial do setor, como pode ser visto no gráfico ao lado.
Com relação ao comércio bilateral com a Argentina, as importações caíram, mas as exportações caíram ainda mais, fazendo o superávit com o país vizinho cair pelo terceiro mês consecutivo. A participação da Argentina nas exportações brasileiras, que atingiu uma média de 28% do total até novembro, caiu a 17% em dezembro. É mais uma evidência de que, assim como no Brasil, a crise internacional provocou uma retração nas compras das empresas argentinas no quarto trimestre.
“Crise? Que crise?”, me perguntava um industrial do setor. De fato, a economia real brasileira ainda mostra bons indicadores. Um bom termômetro da economia pelo lado da demanda no Brasil é a venda de automóveis. Ainda que se imagine uma desaceleração pela frente, as vendas de setembro reportadas pela ANFAVEA mostraram dados muito positivos, com vendas cerca de 32% acima do mesmo período de 2007 e 10% maiores que em agosto...mas as fábricas já estão falando em férias coletivas para seus funcionários.
Na verdade, o ponto é: quando e com que força os efeitos da crise de crédito global vão chegar à economia real brasileira? E quais os prováveis efeitos sobre o mercado de resinas e produtos plásticos? Arrisco a elencar algumas possibilidades:
- O crédito internacional ficará mais escasso e caro, por algum tempo.
- As matérias-primas deverão sofrer redução dos preços em dólares no Brasil. O ritmo das importações vai diminuir, tanto de resinas, como de produtos transformados. As exportações também poderão se tornar mais atraentes.
- Os projetos de investimento poderão ser atrasados ou cancelados. Alguns projetos poderão ter maiores dificuldades para aprovação de financiamento, ou as mais rígidas exigências podem tornar alguns inviáveis. As empresas mais capitalizadas ou menos alavancadas terão aí um diferencial competitivo importante.
- Nos setores de bens não-duráveis (indústria de alimentos, bebidas, cosméticos, por exemplo), não se imagina maiores sustos, pois têm maior correlação com a renda média das famílias brasileiras e níveis de emprego. Esses dois indicadores têm ainda mostrado muito fôlego.
De sorte que é bem provável algum impacto sobre a demanda de produtos plásticos. Mas também é verdade que parte da demanda que vinha sendo suprida por importações passe a ser fornecida localmente. No final das contas, vemos com cautela o cenário de médio-prazo, mas persistimos otimistas. Cautelosamente otimistas.
Cara Cinthia Klippel, O preço da nafta segue contratos com fórmulas de preços que têm a nafta européia como referência. Para você ter uma idéia, a nafta na Europa já caiu cerca de 50% em relação ao pico de julho, mais ou menos o mesmo percentual de queda do preço do petróleo. Porém, essa fórmula tem uma outra variável que é a taxa de câmbio. Como a nafta é cotada em dólares, precisa ser convertida para reais. Como a taxa de câmbio está muito volátil, ainda é incerta a tendência de médio-prazo. Mas de fato a nafta já caiu (pouco) em outubro e deve cair (bem mais) em novembro, pelo menos essa é a tendência hoje. Já o impacto sobre o preço das resinas pode demorar um pouco mais, pois os produtores deverão esperar essas variáveis todas se acomodarem para tomar uma decisão mais firme de baixar os preços ou não. Nesse mês notamos tendências mistas, com algumas resinas subindo (PVC, PET e PS), outras caindo (PEBD) e outras estáveis (PEAD, PEBDL e PP).
Otávio, você acredita que com a queda do preço do petróleo, a Petrobrás vai reduzir o preço da nafta? E as petroquimicas, vão repassar redução de preço às resinas termoplasticas?

Enquanto o petróleo não parava de subir, era fácil justificar aumentos de preços de resinas. E agora que a tendência inverteu, como fazer com que os transformadores aceitem a escalada de preços das resinas?
As petroquímicas justificadamente começaram um ajuste de preços em função dos maiores custos de produção no segundo trimestre de 2008. E continuam tentando implementar mais aumentos ainda em agosto ou até setembro. Será que ainda dá?
Porto Alegre | Rio de Janeiro | São Paulo
desenvolvido por dzestudio