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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica

A fabricação de produtos químicos no Brasil encontra-se estagnada desde 2007 e vem sendo suprida pelo aumento das importações. Todo o crescimento na demanda interna por produtos químicos ocorrido nos últimos 6 anos, medido pelo consumo aparente nacional (7,1% na média), foi atendido pela grande elevação de volume de produtos importados, que, no mesmo período, cresceu 25,5%. A grande capacidade ociosa que o setor vem apresentando desde 2008 atenua a falta de competitividade que a indústria local enfrenta para abastecer a demanda interna.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), a produção de 2012 foi a mesma que a de 2007. Entre os problemas principais que atingem o setor está o elevado custo da matéria prima no Brasil, que no caso do gás, por exemplo, chega a ser quatro ou cinco vezes mais caras que nos Estados Unidos. As importações, no ano passado, apesar de terem caído, ainda representam quase 30% da demanda, que poderia, em parte, ser suprida por produção local. Para se ter uma ideia, os volumes produzidos e vendidos no mercado interno de produtos químicos industriais encerraram 2012 em alta. O índice de quantum das vendas internas dos produtos químicos de uso industrial fechou o ano com aumento de 7,43% em relação a 2011, enquanto o de produção cresceu 2,89%, o que evidencia os baixos resultados do setor produtivo nacional de químicos, que mesmo apresentando variações positivas não superam os volumes de anos atrás.
Apesar da melhora nos produtos vendidos e produzidos, a utilização média da capacidade instalada girou entorno de 81%, o que significa uma capacidade ociosa elevada, além disso, houve um recuo do consumo aparente nacional em 0,72%. Para que o cenário nacional melhore, algumas medidas devem ser tomadas com o intuito de diminuir essa ociosidade existente e de estimular investimentos. Dentre elas, sem pensar muito, é possível citar:
• A desoneração de PIS/COFINS sobre a compra de matérias-primas da primeira e da segunda geração;
• A definição de uma política para o uso do gás natural como matéria-prima e adoção do regime especial para a indústria química.
A balança comercial química brasileira apresenta um grande desequilíbrio e só demonstra a baixa sofisticação do setor, a média de preços das exportações está em US$ 1050 por tonelada, em contra partida, o valor médio das importações se encontra a US$ 2550 por tonelada.
Para 2013 as perspectivas não são positivas e tudo indica que o Brasil deve bater mais um recorde. A previsão é de que o país encerre o ano com um déficit no setor, caso o PIB venha a crescer ao menos 3%, em torno de US$ 30 bilhões, valor que chegaria a ser 7% maior ao registrado em 2012, de US$ 28,1 bilhões, e que até então é o maior registrado. Os resultados de janeiro de 2013 não foram nada animadores, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 2,03% na produção, puxado pelos segmentos de petroquímicos básicos (-8%) e de intermediários fertilizantes (-4%), sendo que as vendas internas cresceram 3,96%. O investimento setorial em 2012 somou US$ 4,8 bilhões e os projetos anunciados para ocorrer entre 2013 e 2016 somam US$ 16,5 bilhões, quantia que não será suficiente para duplicar a capacidade produtiva setorial até 2020, como está previsto no Pacto Setorial.
por Luiz Zuñeda
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

O Brasil está passando por um processo de mudanças, quando se fala em questão energética. O discurso oficial do governo brasileiro é promissor, mas será que é verdadeiro? O governo afirma que os cortes de energia são falhas humanas, que não há riscos de racionamento de energia e traz aos brasileiros a garantia de que a redução de 20% na conta de luz já será aplicada no mês de fevereiro. Porém, não podemos fechar os olhos para as falhas que a nossa matriz energética apresenta.
Na atual situação, o país tem 70% da geração de energia elétrica vinda de usinas hidrelétricas, no entanto nos deparamos com seus reservatórios com níveis muito baixos e dependendo das incertezas meteorológicas. No restante, temos ainda 27% da nossa energia oriunda de termelétricas, que não garantem o abastecimento devido a fatores que dependem de sua modalidade: termoelétricas a gás sofrem com uma oferta duvidosa de gás, que carece de regulamentações claras, enquanto as usinas de óleo combustível e a carvão são muito onerosas e rotuladas como altamente poluentes. Todas estas situações comprometem, pelo menos em parte, a veracidade do discurso do governo federal.
O lado bom da situação é que fontes alternativas de energia, como a eólica, se tornam cada vez mais atraentes e necessárias. O país apresenta um ótimo fator de capacidade dos ventos, bem como a tecnologia para construir parques eólicos que fornecem uma energia limpa e competitiva ao sistema interligado nacional (SIN). Com a redução no valor do megawatt-hora a matriz energética eólica cresceu muito nos últimos três anos, cerca de 216%.
A previsão é que se tenha no país mais de 8 mil MW instalados até 2017, sendo que hoje o país possui mais de 2 mil MW de energia eólica já instalada. O fato que mostra a evolução do setor é que, em 2009, o país possuía apenas duas empresas produtoras de equipamentos eólicos, hoje são 11 ao todo, entre nacionais e estrangeiras. Apesar deste crescimento, a energia eólica no Brasil só passou a atrair investidores a partir de 2009, quando se tornou competitiva suficiente para participar dos leilões. Em 2012 foi possível se verificar em números o grande crescimento neste ramo que o país vem apresentando, sendo a energia eólica responsável por 2% da oferta total de energia no Brasil no ultimo ano, contrastando significativamente com os 0,6% apresentados em 2009.
Para 2013 poderiam ainda ser acrescentados mais 2,1 mil MW, já que há cerca de 50 usinas prontas para fornecer energia, mas que estão sem conexão das redes de transmissão com os parques da SIN. Este é mais um exemplo da falta de produtividade em serviços no Brasil, que só gera mais gastos ao país, uma vez que as usinas aptas a operar ficam ociosas devido a falta de planejamento e, desta forma, a substituição das usinas termelétricas também não se verifica. Todos estes fatores não contribuem para a desoneração da carga tributaria da população e da indústria.
No mundo temos exemplos de que a geração de energia eólica pode ser representativa em um país, a Espanha, por exemplo, no final de 2012 tornou a energia eólica sua maior fonte energética, hoje 40% da energia total gerada no país é vinda dos ventos. A Dinamarca e a Alemanha também possuem parques significativos de geração de energia eólica, o Reino Unido está também no caminho certo, tendo em andamento três projetos gigantes de parques eólicos off-shore. A China é hoje o maior produtor de energia eólica do mundo, seguida dos Estados Unidos.
A grande questão é que diferentemente dos países desenvolvidos, o Brasil tem sua matriz energética muito polarizada em apenas uma forma de geração majoritária. No ranking o Brasil figura em 16º lugar em geração eólica, e talvez estivesse na hora de se espelhar nos outros países, diversificando mais a matriz energética, e talvez repensando o seu perfil, do modelo hidrotérmico para hidroeólico.
por Patrícia Braun da Silva
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

Não é nenhuma novidade que o território chinês tem abundância de gás de xisto. A grande questão é que não se sabe quanto desse gás é realmente recuperável com as tecnologias de extração que se tem conhecimento hoje.
De acordo com algumas estimativas, as reservas chinesas são maiores até mesmo que as dos Estados Unidos, cuja descoberta de shale gas vem ajudando a reestruturar a economia. Entretanto, por não apresentar tecnologia suficiente, será difícil para a China explorar todo o potencial desse recurso natural, que além de geração de energia, poderia amenizar a poluição gerada pelas ampla gama de usinas elétricas a carvão que existem no país, por exemplo. A meta chinesa é ter capacidade de extrair 60 bilhões de metros cúbicos até 2020, o que tornaria o gás natural responsável por 6% do total da demanda energética do país, número que hoje é muito próximo de zero.
Para alcançar tais objetivos a China deverá superar uma série de desafios. Além de avançar em questões tecnológicas e romper os entraves relacionados a políticas estatais versus empresas privadas, terá que superar barreiras impostas pela própria natureza. Isto porque, naquele país, a maior parte do shale gas se encontra em zonas áridas, que por sua vez, não é compatível com a tecnologia atual de extração – o hydraulic fracturing. Não havendo fontes de água próximas, o processo se torna inviável. Além disso, a própria geologia da região do sudeste asiático dificulta ainda mais a utilização desse processo, pois a quantidade de argila nas rochas de xisto da China são muito maiores que as encontradas nos EUA.
Em suma, etapas cruciais do processo de extração devem ser customizadas e aperfeiçoadas para a aplicabilidade em solo chinês. Além do mais, não é possível garantir se ao final disso, o processo será realmente competitivo financeiramente.
Algum otimismo existente hoje se apoia no fato que estudos já estão sendo feitos para otimizar o uso de água; onde o grande montante utilizado para permear o solo e tornar a perfuração mais eficiente é dispensável. Isso está sendo estudado para áreas muito áridas em campos de extração no Texas e que se assemelham a grande totalidade do solo chinês. A substituição de grande parte da água pode ser feita ao se utilizar partículas extremamente finas na ‘brocas’ de perfuração, taís partículas agiriam como um “rolamentos de esferas", facilitando o deslocamento no solo.
Outro ponto importante que pode auxiliar em extrações futuras são as simulações feitas por computadores. Estas podem prever o comportamento das rochas de xisto em presença de diferentes minerais e materiais orgânicos, além disso, sugerem maneiras para melhorar a eficiência da extração através de análises da temperatura, pressão e geologia em profundidades diferentes.
Vale ressaltar que a principal conclusão é que mesmo dispondo de tecnologia, a China ainda deve priorizar investimentos em infraestrutura. Hoje, o país carece de meios para transportar gás natural, pois a sua rede de gasodutos é muito precária.
por Luiz Zuñeda
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

O shale gas continua, mais do que nunca, alavancando a economia norte-americana. O gás extraído das camadas de xisto trouxe de volta a competitividade da indústria dos Estados Unidos, barateando os custos com energia e derrubando argumentos que defendem o declínio da economia estadunidense. Empresas como a Shell e a Dow têm optado por direcionar seus investimentos para os EUA, fechando operações e plantas em países europeus como Bélgica, Holanda, Espanha e Reino Unido. Nos últimos meses, mais de cinquenta projetos petroquímicos foram divulgados no país e calcula-se que pelo menos US$ 30 bilhões sejam investidos somente em projetos para a produção de eteno e fertilizantes.
Fazendo uma analogia com o efeito dominó, o Conselho Americano de Química afirma que o gás de xisto mudou a sorte de diversos setores da indústria como a metalurgia, química, plásticos, borracha, vidro etc. Essa revolução não poderia ser imaginada há cinco anos e o que se vê hoje são previsões de que os EUA produzirão o equivalente a 11,4 milhões de óleo e hidrocarbonetos líquidos por dia, valor próximo à produção da Arábia Saudita.
Graças às inovações nas técnicas de exploração por hydraulic fracking, perfuração que permite poços horizontais e multilaterais, os norte-americanos já conseguem enxergar o tão esperado marco da independência energética. O xisto tornou os EUA independentes da importação de gás da noite pra o dia. No primeiro semestre desse ano, os Estados Unidos produziram mais de 80% de seu consumo energético, melhor marca em vinte anos.
A situação europeia é bem diferente. Especialistas classificam a situação do velho continente como uma caminhada ao suicídio energético. Na opinião de estudiosos, as apostas em fontes renováveis, como a energia eólica e solar, mais parecem uma crença religiosa do que uma política energética. A pouca ação para enfrentar o novo cenário energético mundial e o esforço para manutenção de cúpulas para salvar a economia europeia são tratadas com ironias por aqueles que acompanham o assunto. Os preços do gás estadunidense chegaram na semana passada a um terço dos europeus. Por lá a conta do gás vem escrita em russo. A Alemanha importa 36% de seu gás da Rússia. A Polônia, quase metade. Países bálticos importam 100%. Mesmo que a importação de gás liquefeito mitigue essa dependência, ainda são necessárias muitas melhorias de infraestrutura.
A situação japonesa também é delicada, uma vez que o país fechou suas usinas nucleares após o desastre de Fukushima e agora busca a todo custo importar gás dos EUA para suprir suas necessidades. O preço do gás japonês é cinco vezes mais caro que o norte-americano.
No Brasil, ainda se fala pouco em gás natural de fontes não convencionais, como o shale gas. Aqui o preço do gás é quase quatro vezes o preço dos EUA, situação que chama a atenção dos especialistas de mercado e que pode afetar o andamento de alguns projetos na área. Recentemente a ANP divulgou um cálculo preliminar onde os volumes recuperáveis de gás não convencional nas bacias de Parecis, Parnaíba e Recôncavo seriam de 200 trilhões de pés cúbicos (tfc). Caso esse valor seja confirmado, as reservas de gás brasileiras superariam em mais de dez vezes as reservas provadas da Bolívia, nosso maior fornecedor.
por Álvaro Serralta Hurtado de Menezes
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

A situação do refino do petróleo brasileiro é favorável ao aumento das importações. Os projetos de expansão da capacidade brasileira não acompanharam o aumento da demanda do mercado interno por combustíveis e derivados petroquímicos. O crescimento do poder de consumo brasileiro fez, na ultima década, o consumo de gasolina crescer quatro vezes mais rápido que o consumo mundial. De maneira parecida, a situação do óleo e do diesel também estimulam as importações.
A defasagem entre o aumento da demanda e os investimentos no processamento de petróleo, que desfavorecem a balança comercial, parece uma contradição, ainda mais quando existem quatro megaprojetos em andamento. Abreu e Lima, Comperj, Premium I e Premium II são empreendimentos que até agora não produziram nada, visto que os sucessivos adiamentos e as constantes reavaliações econômicas tornam esses projetos cada vez mais distantes e onerosos. As melhorias em doze refinarias brasileiras resultaram em um incremento de 60 mil barris diários processados durante o primeiro semestre se comparado ao mesmo período do ano anterior. O resultado das melhorias foi que mais de 80 mil de barris por dia de gasolina, diesel e querosene de aviação fossem produzidos. Esse número levou a um recorde do fator de utilização do parque de refino. Mesmo assim, as melhorias estão aquém do necessário e as importações diárias de gasolina e diesel estiveram em 66 e 81 mil barris na média, respectivamente. Autoridades da Petrobras afirmam que 25% da demanda interna por diesel é importado e que, se os projetos em curso não forem concluídos, o Brasil importará mais de 35% dos derivados de petróleo consumido no país.
A construção das novas refinarias é fundamental para equilibrar a oferta e a demanda por combustíveis e derivados. Somente com o início da produção da refinaria Abreu e Lima e do primeiro trem do Comperj, a capacidade de processamento aumentaria em 400 mil barris por dia. Com essa entrada, as importações de diesel previstas para 2016 ficariam entre 100 e 120 mil barris diários.
O investimento em Pernambuco ainda sofre com as complicações da descoberta do petróleo leve do pré sal. O projeto da Abreu e Lima, que já tem 62% da parte física construída, foi concebido para processar óleos pesados da Bacia de Campos e da Venezuela, e custaria quase 13 bilhões de dólares a menos caso fosse concebido para processar o óleo leve. Executivos da Petrobrás disseram que hoje, com a descoberta do pré-sal, o projeto se tornou muito caro e perdeu a razão de ser.
por Álvaro Serralta Hurtado de Menezes
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

Muito se tem falado a respeito da seca que vem afetando as lavouras norte-americanas. Essa é a pior seca dos últimos tempos e está trazendo conseqüências desastrosas para os produtores rurais bem como para a indústria de etanol daquele país.
Segundo a USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, da sigla em inglês) essa será a pior safra desde 1995. Em função da queda expressiva na produção de grãos, espera-se que as importações aumentem significativamente. A estimativa é que as importações de milho, cultura mais afetada pela falta de chuva no país, terá um aumento de mais de 60%, passando de 1,14 para 1,9 milhão de toneladas.
A média de produtividade do milho nessa safra será menor que 105 sacas por hectares, enquanto que o esperado pelo mercado era em torno de 160 sacas por hectare. No sul do país, a situação ainda é mais complicada onde não chove intensamente desde junho do ano passado, a produtividade pode chegar a apenas 52,5 sacas por hectare.
Para o mercado do etanol, que nos Estados Unidos é produzido quase que exclusivamente a partir do milho, os efeitos também são muito negativos. Em torno de 7 usinas estão paralisadas e outras 26 estão com a produção reduzida desde julho. Dificilmente se chegará a patamares de produção próximos de 2011, onde os Estados Unidos bateram recorde de exportação, com cerca de 3,8 bilhões de litros de etanol.
A seca traz à tona a antiga discussão sobre o destino do milho: alimentos versus biocombustível. De maneira lógica, muitos especialistas apontam que a solução definitiva seria a produção de etanol de segunda geração, a partir de biomassa, por exemplo. Dessa forma, não haveria necessidade de se destinar área de plantio exclusivamente para a fabricação do combustível, tampouco existiria a problemática da matéria-prima ser canalizada para consumo humano. Mas infelizmente, o etanol de segunda geração ainda não é realidade. O acontecimento mais concreto a respeito é a previsão da primeira planta em escala comercial do produto entrar em operação somente no final deste ano. Essa planta está localizada em Crescetino, na Itália e está sendo desenvolvida pela Beta Renewables.
Toda a crise de etanol nos EUA propicia um aumento das exportações de etanol de cana brasileiro. Apesar do clima no Brasil também não estar favorecendo a produção de cana, os produtores estão tentando reverter essa situação. Na primeira quinzena de agosto a produção de etanol teve aumento de 8% em comparação com o mesmo período da safra anterior. Mesmo assim, a última previsão da UNICA aponta uma queda de 17,5% no acumulado até a primeira quinzena de agosto no comparativo da safra atual com o ano anterior. Apesar deste cenário, o Brasil exportou 410 milhões de litros de etanol em julho, sendo a maior parte desse volume enviado aos Estados Unidos.
Mesmo com a previsão de aumento na quantidade do biocombustível adicionado à gasolina prevista para 2013, estima-se que as exportações de etanol brasileiro deverão crescer, visto o baixo desempenho do ano anterior.
Além de abrir portas para o etanol do Brasil, a seca nos EUA também aponta para uma alta de exportações de grãos da União Européia para os Estados Unidos. Deverá ser exportado um excedente de 10 milhões de toneladas de grãos, com preços em alta no mercado devido ao estímulo causado pelos prejuízos na produção norte-americana.
Para os agricultores, o amplo uso de seguros de lavouras amenizou um pouco os impactos. Diferente do Brasil, nos Estados Unidos os seguros cobrem preço e clima e garantem a segurança financeira do produtor. Já os consumidores norte-americanos ainda não sentiram impacto no aumento dos preços dos alimentos, isto está previsto para 2013.
Os efeitos da seca não param por aí. Outras culturas, como a soja também estão sendo afetadas. Além disso, as indústrias que fornecem equipamentos e produtos para os agricultores também estão sentindo o impacto. Outro problema trazido pela seca é em relação ao transporte de fertilizantes para a próxima safra, pois os rios estão muito baixos e há dificuldade de navegação, enquanto que as ferrovias não conseguem absorver toda demanda.
Segundo a USDA, os efeitos negativos causados na soja ainda podem ser reversíveis, mas para o milho resta esperar que chova para que a próxima safra também não seja prejudicada. O momento é de oportunidade para os produtores de etanol do Brasil, que não estão tendo muitos incentivos no mercado interno, sofrendo com o desestímulo e a fixação do preço da gasolina pelo governo.
por Débora Pez Jaeschke
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes

Os impactos da seca e das condições climáticas desse verão nos Estados Unidos começam a se traduzir em números. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu, nesta última quarta feira, significativamente as estimativas de safra das lavouras norte americanas. Para o caso do milho, a produtividade estimada caiu de 174 sacas por hectare para 153 sacas no mês de junho. Isso corresponde a uma queda de 12% na safra. Na bolsa de Chicago, essa notícia teve como consequência um salto de 15% nos futuros da matéria prima do etanol. Na última semana, esse cenário já provocou uma queda de 4% na produção de etanol dos EUA, que atingiu 821 mil barris por dia, 51 mil barris diários a menos que no mesmo período do ano passado. É a quarta semana consecutiva de quedas e o menor nível de produção desde julho de 2010.
O aumento dos preços do milho e a estagnação dos preços do petróleo desenham um cenário desastroso para indústria do etanol norte-americana, que já não conta mais com os altos subsídios governamentais de outrora. Um flashback da crise industrial de alguns anos atrás não pode ser descartado. Ao contrário do milho, o preço do barril do petróleo parece ter atingido o seu teto e manter-se-á aproximadamente constante, assim como o preço da gasolina. O aumento dos preços do combustível renovável não se traduz, de maneira alguma, em aumento das margens dos produtores. Pelo contrário, o aumento dos preços desestimula distribuidoras de combustíveis a adicionarem mais etanol do que o obrigatório às misturas. Com isso, a indústria do álcool se vê em uma sinuca onde, à medida que se procura aumentar as margens, reduz-se o seu mercado de venda. Essa conjuntura tem desencorajado investidores a investirem em pequenas empresas do setor, temendo uma nova onda de falências como a ocorrida durante a crise financeira. Desativações de plantas e demissões já são reflexos dessa situação. As previsões de preços mais baixos para o petróleo em 2013 são ainda mais desanimadoras e prometem não trazer alívio para a indústria do etanol até a próxima safra. O setor que depende de uma diferença de preços entre o álcool e o óleo se vê em uma situação muito delicada, em que os incentivos fiscais e na legislação de combustíveis tem se mostrado cada vez mais ausentes e menos eficientes para salvá-lo.
por Álvaro Serralta Hurtado de Menezes
revisado e editado por Maurício Jaroski Gomes
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Leia mais sobre etanol e sua situação no Brasil no MaxiGIP
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A indústria do etanol recebeu o ano novo com outra perspectiva. Os produtores de etanol em todo o mundo tiveram motivos de sobra para comemorar o ano novo, quando o relógio bateu meia-noite no dia 31 de dezembro.
A euforia é resultado do final do subsídio de etanol nos EUA, assim como o final da tarifa de importação, ambas as medidas expiraram em 31 de dezembro. O Brasil prontamente está para ganhar uma grande fatia do mercado norte-americano, já este agora está aberto para o mundo. A tendência é que o etanol de cana e de beterraba abasteça o insaciável mercado americano, onde o produto local (etanol de milho), será menos desejável por ser mais caro e menos avançado, segundo classificação da Agência de Proteção Ambiental.
Com isso, se pode esperar um desaparecimento gradual do etanol à base de milho, já que na comparação com cana e beterraba ele está em visível desvantagem. É provável que isso cause o aparecimento de novas políticas que incentivem o consumo de outras matérias-primas para etanol nos EUA.
O grande fato é que os legisladores dos EUA não renovaram o subsídio nacional ao etanol e as ações de proteção a indústria que prevê tarifas sobre as importações de biocombustíveis. Tais medidas são renovadas pelo congresso a cada 2 anos, desde 1980. Porém, em 2012, devido ao atual clima econômico, não foi possível justificar o custo dessa renovação, algo em torno de US$ 6 bilhões.
A queda da tarifa de importação será um indiscutível benefício para o etanol de cana do Brasil. Apesar do país exportar atualmente 1,5 bilhão de litros de etanol, dos quais 60% vai para o mercado americano, 2011 foi um ano ruim para a safra brasileira e o país teve que importar uma quantidade recorde de etanol para suprir EUA, o que pode parecer uma insanidade, porém é assim que o mercado funciona, existe compra e venda de etanol entre os mesmos países.
No futuro parece estar nítido que haverá uma forte renovação em investimentos estrangeiros para novas usinas de cana de açúcar e destilarias de etanol no Brasil. Nos últimos anos houve um declínio acentuado em projetos "greenfield", o que aliado com uma safra ruim, foi um dos principais fatores que contribuíram para a escassez do produto hoje no Brasil.
Em comparação, a demanda nos EUA está garantida até 2022 devido ao mandato federal que exige das refinarias a mistura elevada de etanol com a gasolina.
De acordo com a UNICA, o Brasil tem potencial para exportar 15 bilhões de litros para os EUA até 2022. Até essa data os mandatos do governo americano exigem que 57% do etanol consumido seja "avançado", classificação que o etanol de cana do Brasil adquiriu em 2010, pois emite até 90% menos gases de efeito estufa que a gasolina.
A questão chave que não pode passar despercebida é que esta é uma oportunidade única para ambas as indústrias de etanol, tanto a brasileira quanto a norte-americana, de prosperarem juntas. EUA e Brasil são responsáveis por mais de 80% da produção mundial de etanol, e a princípio não irão impor nenhuma tarifa especial de importação. A partir disso, os dois países terão certamente grande influência no desenvolvimento de um mercado global livre para o etanol, transformando-o de vez em uma commodity e se assemelhando cada vez mais a uma sistemática mercadológica semelhante ao petróleo.
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Entenda mais sobre o mercado de etanol e seus novos usos para a indústria química.
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