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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
A procura pela auto-suficiência energética é uma das maiores preocupações do século 21, conduzindo diversos países a travarem guerras por fontes de energias, principalmente as fósseis como o petróleo e o gás natural. E a água? Por que ela ainda não é tão discutida (ou é, e nós ainda não queremos coloca-lá no debate) como o petróleo e o gás natural? Quanto tempo demorará a ser um recurso altamente cobiçado?
A água também é um recurso capaz de gerar energia, mas é fundamental para produção de alimentos. A FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura, já fez alertas sobre o crescimento populacional demasiado nos próximos anos e a falta de alimentos ocasionada pela escassez de terras e, principalmente, de água. Além disso, problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos tem colaborado fortemente com a falta de água.
Vendo essa problemática, companhias chinesas já estão se preparando para fazer uso racional e correto da água, antes que altas tarifas para o uso da mesma surjam. Segundo o relatório "China’s rising climate risk", a China tem 31 províncias sofrendo de carência extrema de água e 11 apresentando insuficiência de água. O governo chinês reconhece a urgência em utilizar menos água nos processos industriais e investir em projetos que aumentem a eficiência na irrigação rural. A China pretende investir US$ 63 bilhões em projetos que envolvam economia e controle de poluição de água até 2020.
Utilizar os recursos hídricos de maneira racional será uma tendência global para as empresas lucrarem mais no futuro, principalmente se a escassez de água se agravar...

Compósito polimérico pode ser definido basicamente como um material estrutural resultante da combinação de polímeros com fibras de reforço trabalhando em sinergia. Normalmente essa união é constituída por uma matriz que confere a forma ao produto ou a peça e que transfere os esforços para uma fibra de alta resistência. É claro que fabricação de um produto acabado feito de compósitos não se resume somente à matriz polimérica e reforços. Usualmente são incorporados diversos tipos de agentes durante o processamento, como aditivos químicos, desmoldantes, massas e gel coats, além da possível inserção de núcleos. Em fim, dentre as infinitas combinações, a maior quantidade de material utilizado consiste justamente nas resinas, que podem ser termofixas ou termoplásticas e nos reforços.
Detendo-se mais especificamente às fibras, essas são encapsuladas pela matriz polimérica e podem ser consideradas um capítulo a parte na indústria de compósitos. Os reforços mais importantes são os em fibra de vidro e de carbono, entretanto existem as fibras de aramida, de poliéster, naturais, entre outras.
No Brasil, as fibras de vidro são largamente utilizadas, pois apresentam preços acessíveis e performance satisfatória em diversos segmentos como náutica, transportes, construção civil, entre outros. A fiberização do vidro ocorre a partir de uma mistura de minerais moídos e introduzidos em um forno em temperaturas elevadas da ordem de 1400 a 1500 °C. Já as fibras de carbono normalmente apresentam o precursor PAN (poliacrilonitrila) e suas aplicações estão principalmente vinculadas à indústria aeronáutica, espacial e, mais recentemente, na eólica. Pelas aplicações, é possível notar que as fibras de carbono são consideradas reforços onde é requerido alto desempenho. E mais, além da alta resistência e rigidez desse reforço, a fibra de carbono consegue aliar leveza ao produto ou à peça produzida. No entanto, o custo das fibras de carbono comerciais é bem mais elevado, quando em comparação a fibra de vidro.
Com o crescente interesse ecológico, as fibras naturais surgiram na indústria de compósitos como uma alternativa barata. No Brasil, as fibras vegetais mais usadas são as de curuá, empregadas em peças de acabamento interno de automóveis, e as de cana-de-açúcar, apresentando aplicações em postes e mourões. Entretanto, o uso das fibras naturais é restrito devido às propriedades serem muito baixas quando em comparação com as fibras sintéticas. Além disso, a pouca compatibilidade com a matriz polimérica e a higroscopicidade são outros que impedem os avanços na utilização das vibras vegetais na indústria de transformação de materiais compósitos.
Enfim, todas as fibras apresentam propriedades mecânicas e químicas específicas e intrínsecas, pois são oriundas de materiais e de processos diferentes. Com isso, e sem dúvida, a escolha de um reforço depende muito do esforço mecânico e ambiente químico ao qual a peça ou produto será exposto. Com esta avaliação nota-se que para se selecionar a fibra ideal é necessário conciliar o desempenho requerido da peça com o custo do reforço propriamente dito. Assim, percebe-se que não existe um único tipo de fibra a ser empregado despontando como tendência, mas sim, uma variedade de reforços que podem se adequar às exigências do produto fabricado aliando custo competitivo...

No Brasil, é possível observar, nos últimos meses, diversos movimentos de empresas químicas para entrarem no mercado de produtos derivados de fontes renováveis. Porém isso não está acontecendo apenas por aqui. A Europa está encontrando nesse setor verde uma oportunidade de crescimento, já que vem sofrendo com a competição de empresas químicas e petroquímicas da Ásia e Oriente Médio, principalmente devido a suas plantas serem antigas enquanto as da Ásia são relativamente novas. As empresas européias estão reconsiderando suas estratégias, e a tendência é que isso aumente com o passar dos anos.
Um exemplo é a italiana Polimeri, do Grupo Eni, que em 2011 anunciou a formação de uma joint venture com a Novamont, produtora de bioplásticos, e o objetivo é construir um complexo de bio processamento de sete unidades de US$ 704 milhões, que produzirá monômeros, polímeros e aditivos, todos bio based. A unidade deverá estar pronta em 2014. Para fornecer energia ao complexo, a Eni planeja investir em uma estação que produziria energia a partir da biomassa. A holandesa DSM anunciou um projeto de ácido succínico derivado de fontes renováveis na Itália. A norte-americana BioAmber já opera uma planta biobased do mesmo produto na França.
Conforme já comentado nesse blog, sustentabilidade, verde, bio based, são palavras cada vez mais citadas por empresas, independente do setor em que estão. Além da Europa, empresas químicas da Ásia também estão investindo no negócio verde, porém em menor escala do que observamos na Europa.
Os setores de P&D das empresas estão fazendo sua parte, já que de certa maneira, é necessário baixar o custo da produção verde, para que esse seja competitivo. E, em escala industrial, o custo tende a diminuir ainda mais. Também estão sendo feitas pesquisas para utilizar materiais que não sejam direcionados a alimentação humana, como os resíduos urbanos, resíduos de florestas e desperdícios de alimentos.
E o Brasil tem que aproveitar essas oportunidades, já que possui capacidade de, por exemplo, plantar cana-de-açúcar em grande escala, o que facilita a produção do plástico verde da Braskem, por exemplo.
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