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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
A economia dos EUA, que não consegue se firmar de vez desde a crise econômica que assombrou o país a partir da metade de 2008, finalmente dá sinais de dar a volta por cima no campo energético. Depois de pesados investimentos na exploração das reservas de shale gás, a bola da vez agora é o etanol, que deve atingir patamares de exportação em 2010 nunca vistos nos últimos anos.
Somente até julho deste ano, a exportação da commodity americana já atingiu o volume de 182,7 milhões de galões. Para se ter uma idéia, nos últimos 20 anos a maior quantidade de etanol exportada foi em 1995, quando se exportou 197,5 milhões de galões durante o ano inteiro. Portanto, se as exportações se mantiverem constantes durante o restante do ano, a tendência é que se atinja um monstruoso volume na casa de 300 milhões de galões!
Alguns produtores já estão se adaptando a essa mudança aumentando as capacidades atuais das plantas para suprir essa demanda crescente. O foco está cada vez mais na produção de etanol não desnaturado (etanol puro, sem qualquer aditivo), que representa a maior parte das exportações. Com relação ao etanol desnaturado (etanol no qual se adicionou um produto, tornando-o impróprio para bebida ou outros fins) a demanda local deverá ser alavancada em um futuro próximo com a aprovação do projeto E15, que prevê um aumento de 10 para 15% de fração deste álcool na gasolina.
E a relaçao comercial com o Brasil? A realidade é totalmente diferente do que era há alguns anos. Historicamente, os EUA sempre foram importadores líquidos (net importer) do etanol brasileiro, mas hoje a exportação supera de longe a importação, colocando o Brasil como o 4° país que mais importa essa commodity americana. Outro caso curioso é o dos Emirados Árabes, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mas que ao mesmo tempo são os 3° maiores importadores de etanol dos EUA. Com toda essa oferta, imagina-se a cena de magnatas do petróleo abastecendo o carro com álcool de milho. É a força do etanol americado (de milho)... e do brasileiro (de cana-de-açúcar), logicamente o brasileiro mais competitivo.
Prezados, parabéns pelo Blog. Sem dúvida, uma fonte de informações relevantes, para o setor.
O anúncio recente da Basf em criar uma nova empresa (Styrolution) de U$3,5 bilhões para separar seus negócios de estireno/poliestireno pode estar indicando um caminho semelhante que a Dow Chemical fez com a venda da sua unidade Styron para uma afiliada da empresa de private equity Bain Capital. A Basf ficaria somente com o seu negócio de poliestireno espumas, onde a demanda é menos volátil.
Já ocorreu nestes negócios um movimento forte em anos anteriores com a troca dos controladores em algumas empresas. Este mercado, excluindo BASF e Dow Chemical, passou a ser cada vez mais dominado por empresas do Oriente Médio, ávidas em dar soluções para o mercado chinês. Um exemplo claro é a Ineos Nova, uma joint venture entre a Ineos Group e a Nova Chemicals, de propriedade da empresa de investimentos de Abu Dhabi, a IPC (International Petroleum Company).
Negócio global em um ambiente caracterizado por demanda volátil, alta pressão sobre as margens e forte concorrência é a tônica para estas mudanças no mundo. No Brasil, a demanda aquecida mais a desativação da fábrica Styron no Guarujá, em São Paulo, deixam a Videolar, Unigel e a Innova também em atenção, em ebulição nos seus negócios. A Basf já tinha vendido para a Unigel a fábrica de 120 mil toneladas por ano de estireno da CBE, em Cubatão (SP). O estireno é matéria-prima para a produção de poliestireno e ABS. Agora a Unigel está integrada e buscará novas sinergias. A Unigel também já tinha comprado da Dow Chemical a unidade de estireno desta empresa, a EDN, de 160 mil toneladas/ano, e que estava parada em Camaçari, na Bahia. Mais recentemente, a Videolar anunciou que vai investir em uma unidade industrial de ABS em Manaus, no Amazonas. Este novo investimento reforça a estratégia da Videolar de produzir itens com alto índice de importação no Brasil.
A pergunta a ser respondida é: o que este novo cenário internacional vai influenciar nas estratégias dos players brasileiros Videolar, Unigel e Innova em buscar sinergias para seus negócios de estireno/poliestireno. Uma coisa é certa, a ebulição no mercado brasileiro também é a tônica vigente.
Dos últimos anos para cá, os norte-americanos vêm vivendo uma nova realidade no seu cenário energético. Com a recente descoberta de reservas abundantes de shale gas (gás de xisto) em grande parte do território, os Estados Unidos vêm diminuindo a cada ano a importação de gás natural e se colocando de vez entre os principais exportadores mundiais.
Para se ter uma idéia, há alguns anos atrás, empresas como Cheniere e Sempra investiram na construção de terminais marítimos (caríssimos) para importar gás natural liquefeito (GNL), tamanha era a escassez na produção de gás natural frente à demanda. Hoje, estas empresas estão pedindo autorização para a Comissão Reguladora Federal de Energia (FERC) para reestruturar os terminais, para deixar de importar e passar a exportar.
Em 2007, a importação líquida de GNL atingiu o seu pico máximo na história norte americana, representando 16% do consumo energético no país. Já em 2009, a este valor caiu para 12%, atingindo o patamar mais baixo desde 1994. Esta queda foi favorecida não só pelo aumento na produção devido à abundância de gás, mas também pela diminuição do consumo doméstico, que contribuiu para o declínio nas importações.
Desta maneira, os investimentos em fábricas de polietilenos (PE's) de gás natural (etano) vão ficar mais competitivos nos Estados Unidos e retornar. Eles tem um grande mercado, grandes hubs para distribuição, e agora novamente produção de etano competivivo para abastecer as fábricas de eteno/PE's. E a Braskem já está lá. Estratégico.
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