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Após intensas pesquisas de desenvolvimento de materiais compósitos, a Huntsman Advanced Materials, projetou iate de competição para regatas internacionais de alta performance, nomeado “CODE8”. Nesse projeto foram selecionados materiais específicos, entre eles a fibra de carbono, conforme as propriedades mecânicas e superficiais, além da possibilidade de confeccionar peças com alta precisão dimensional.
O casco e convés foram fabricados a partir de um molde, usando um sistema de cura a quente através do processo de infusão a vácuo. A colagem das partes do iate foi feita utilizando adesivo epóxi, apresenta boa resistência às intempéries e impermeabilidade à água.
A Huntsman salienta que o CODE8 foi fabricado nos mais altos padrões de qualidade, além disso, os estágios de desenvolvimento e de produção foram rápidos, sendo que o primeiro modelo do iate CODE8 teve sua fabricação finalizada em 4 meses.

A definição clássica de compósito é combinar dois materiais a nível macroscópico em pelo menos duas fases distintas para criar um material com propriedades superiores às dos materiais separados. Um exemplo tradicional de compósito termofixo, e que pode ser descrito de maneira bem simplificada, é a combinação de resina poliéster e fibra de vidro. As aplicações desses materiais se estendem por vários segmentos destacando-se principalmente nas áreas de transporte e infraestrutura. Esse setor da indústria de transformação está ganhando cada vez mais espaço e se desenvolvendo de forma exponencial no mundo. No Brasil a evolução apresentada não é diferente, sendo que o faturamento da indústria de compósitos termofixos no ano de 2010 foi de aproximadamente U$ 1.595 bilhões, além disso, o crescimento médio anual do faturamento desse setor da indústria nos últimos anos ronda a casa dos 11%. Apesar de milhões de toneladas serem transformadas anualmente em todo o mundo, sua representatividade em aplicações gerais ainda é baixa quando comparada com outros materiais como aço, madeira, alumínio, resinas termoplásticas, entre outros.
Há algumas barreiras que dificultam o desenvolvimento dos compósitos termofixos em substituir alguns materiais em determinados mercados, destacando-se a dificuldade em reciclar esses materiais. Hoje dar um destino nobre aos resíduos se tornou uma necessidade em todos os setores, não só pelos custos envolvidos em dispor imensas quantidades em aterros, mas também pela possibilidade de poder reaproveitá-los como matéria-prima. Ao contrário das resinas termoplásticas, as resinas termorrígidas apresentam reticulações entre as cadeias poliméricas e, por esse motivo, não podem ser simplesmente reprocessadas para gerar um novo produto. Além disso, os compósitos termofixos podem ser fabricados a partir de diferentes materiais: resinas diversas, vários tipos de reforços estruturais e outros componentes que podem ser incorporados ao compósito. Justamente pela possibilidade de se formular um compósito com infinitas combinações, perde-se em homogeneidade do resíduo, dificultando a reciclagem do mesmo.
Vendo essa problemática, a comunidade científica tem se empenhado fortemente na pesquisa e no desenvolvimento de técnicas de reciclagem para os compósitos termofixos. Hoje há basicamente dois tipos de reciclagem para esses materiais: a mecânica e a térmica. A reciclagem mecânica consiste basicamente na redução do tamanho do resíduo, transformando-o em pó ou em “novas fibras”, podendo ser reutilizados como reforço em novos produtos. Já a reciclagem térmica pode ser realizada da maneira tradicional empregada para os resíduos termoplásticos, ou seja, recuperar a energia contida nos compósitos termofixos a partir da queima dos mesmos, pois esses materiais apresentam poder calorífico semelhante ao do carvão de boa qualidade. Além disso, o resíduo sólido gerado pela queima pode ser empregado para a fabricação de cimento. Com certeza a reciclagem térmica é um processo mais sofisticado, atualmente está em desenvolvimento um processo para separar as fibras da resina do compósito em leito fluidizado utilizando o calor. Essa técnica produz fibras recicladas de alta qualidade, sendo que o foco está na recuperação de fibras que carbono, pois o custo no mercado destas fibras é elevado.
Analisando esse cenário, percebe-se a reciclagem dos compósitos termofixos ainda é um desafio, pois se esbarra em um custo ainda elevado e acaba perdendo em competitividade em relação a materiais concorrentes. Por outro lado, a produção desses compósitos está consolidada como uma alternativa viável quando se busca um produto cuja aplicação está relacionada com o desempenho e, em determinados mercados, com redução de custos. Sem dúvida, a indústria de compósitos termofixos deslanchará definitivamente no momento em que a reciclagem desses materiais se tornar uma realidade comercialmente viável...
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