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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica

O recente derramamento de petróleo no Golfo do México aumentou a pressão sobre o governo americano para a redação de leis mais rígidas em relação à exploração de petróleo offshore. Além desta nova legislação, o presidente Barack Obama espera que o Congresso trabalhe também para a aprovação de um novo conjunto de leis para o clima - incluindo-se aí o controle das emissões de CO2 nos EUA.
Muitos senadores democratas não querem votar a nova legislação para o clima neste ano eleitoral. Eles preferem, no entanto, focar seus esforços nas medidas que devem ser tomadas em relação à limpeza da mancha de óleo na costa americana e na nova legislação para o setor de energia. Esta legislação teria um impacto mais imediato na economia do país e seria de maior "visibilidade" para a população, mesmo não sendo tão abrangente quanto uma possível legislação para o clima. A lei para o setor energético estabeleceria diversos marcos, como uma maior segurança para perfurações de poços offshore, promoção de uma maior eficiência energética e uso obrigatório de mais fontes renováveis para a geração de energia elétrica.
Alguns senadores - especialmente aqueles que representam estados com vocação agropecuária ou industrial - temem que uma legislação para o clima seja prejudicial à população e ao setor produtivo do país, pois ela aumentaria a fatura de energia elétrica para consumidores residenciais e industriais. No entanto, um estudo da EPA (a Agência Americana de Proteção Ambiental) mostra que uma tal legislação adicionaria menos de US$ 1 por dia às despesas de cada lar americano.
Em junho do ano passado, os congressistas americanos aprovaram um projeto de lei que estabelece um programa de créditos de carbono no país para controlar as emissões de carbono de termelétricas, refinarias e indústria. O que Obama deseja agora é uma legislação mais abrangente para o clima, uma que controle não apenas a compra e venda de créditos de carbono, mas que imponha uma verdadeira mudança na matriz energética dos EUA.

Todos sabemos que em uma economia capitalista, como a brasileira, a indústria, seus fornecedores e o sistema financeiro são elos que formam uma só corrente. Isto vale tanto para os ortodoxos do “mainstream”, quanto para os heterodoxos da escola keynesiana. O que os diferencia são as forças dos elos.
Mas parece que o elo da indústria, no caso brasileiro, está ficando cada vez mais frágil. E neste cenário, com real valorizado, teremos uma indústria menos competitiva no seu conjunto, neste início de século XXI. Um dos diferenciais da economia brasileira no século XX em relação aos nossos vizinhos, Argentina, Chile e Uruguai, foi o crescimento dinâmico da indústria brasileira nas décadas de 50, 60 e 70. Crescimento e dinamismo que aconteceram nos tempos da CEPAL, da substituição das importações, dos PNDs, e ficaram como a base da nossa indústria no século XXI. A maior e mais importante da América Latina. Nos outros países vizinhos as suas indústrias praticamente se desmontaram. Os economistas Maria da Conceição Tavares e Carlos Lessa, participantes ativos desta época, e professores dos candidatos a presidente do Brasil, Dilma Rousseff e José Serra, sabem muito bem disto. Muito escreveram nos seus textos, nos seus artigos e nos seus livros.
Bem, mas agora, quais são os exemplos? Segundo estudo recente da FIESP, entre 2002 e 2009, ou seja, no início deste século XXI, a indústria brasileira pagou tarifas que cresceram 83% acima da inflação no período. Tarifa que é a terceira maior do mundo atualmente. Também da FIESP, do Departamento de Competitividade e Tecnologia, “... entre 2005 e 2009, a carga tributária média da indústria de transformação foi de 59,8% do PIB industrial. Essa relação é de 2,24 vezes mais alta do que a da média dos setores, que é de 26,7%.”
E o Plano Ômega? São Paulo como uma conexão entre as empresas da América Latina e os aplicadores globais. São Paulo e o Brasil com uma abertura financeira maior, de modo a integrá-la ainda mais ao resto do mundo. Ou seja, a Febraban e a BM&FBovespa querem transformar São Paulo no centro financeiro da América Latina. A que preço para a nossa indústria?
Voltamos ao elo da indústria nesta corrente. Hoje saiu o PIB do 1T/2010, maior expansão desde o 1T/2004: crescimento anualizado de 11,2%. O PIB da indústria registrou forte expansão nas diferentes bases de comparação e ajudou a impulsionar as contas nacionais. Senhores candidatos a presidente, não se esqueçam dos seus professores. Sem indústria forte não teremos economia forte no Brasil no século XXI.
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