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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
... desconsiderando as importações de PVC. Nos primeiros quatro meses de 2009, a importação de resinas termoplásticas (PP, PEs, PS, PET e PVC) registrou queda de 5% no volume. Porém, se excluirmos o PVC da lista, o perfil muda completamente e se obtém um crescimento de 14,7% para o mesmo período.
O PVC, que em 2008 puxou o crescimento das importações, hoje é a resina que direciona a queda. Assim, temos que separar a análise, demonstrando que as importações de resinas ex-PVC estão ganhando importância novamente em 2009.
No ano de 2009 o cenário no mercado doméstico de resinas foi de ajustamento dos preços domésticos na direção de preços praticados em algumas regiões no mundo. No entanto, a recente valorização do real frente ao dólar torna essa diferença, que estava diminuindo, na direção de se afastar novamente.
Nesse contexto, fica claro que o ganho de competitividade da indústria petroquímica brasileira com a valorização do real frente ao dólar mostra-se cada vez mais importante para a manutenção das vendas no mercado interno...e não somente para as exportações.
O preço do barril do petróleo está oscilando em torno dos U$60 o barril. Será este o preço de equilíbrio em 2009? Este preço de U$60 é uma barreira a ser vencida pelos dois lados: os que apostam em um preço mais baixo e aqueles precisam de preços maiores para retornarem os investimentos.
Os que apostam em preços mais baixos, que vibraram com o petróleo batendo nos U$34 o barril no ápice da crise, viram nesta queda um lado bom da crise. Estas mesmas pessoas, grande parte economistas, entendem que o atual momento econômico frágil não permite preços superiores a este patamar.
Os que apostam em preços maiores, a grande maioria empresas petrolíferas, esperam que a demanda asiática, principalmente da China, continue fazendo pressão pelo lado da demanda. Não podemos esquecer que em 2005 o petróleo superou a barreira dos U$60 e foi esta a região dos países emergentes que ditou os preços até eles chegarem ao recorde de U$150 0 barril. Estas empresas, com o petróleo acima ou próximo ao patamar de U$60, manterão um fluxo constante de investimentos em prospecção, produção e refino.
Parece que o equilíbrio e a barreira a ser transposta pelos dois lados está em U$60 em 2009...o difícil é saber os efeitos da crise no segundo semestre deste ano. Na semana passada em evento em São Paulo esteve palestrando o economista americano Joseph Stiglitz, prêmio Nobel em 2001, que deu uma pista:
"Estamos no fim do começo, mas não no começo do fim." Stiglitz afirmou que a economia vive ainda um ajuste de estoques e alguns setores industrias vivem grandes problemas, principalmte nos EUA e Europa. Na semana passada foi divulgado que o consumo de gasolina nos EUA caiu 14% em relação a 2008, as reservas de petróleo estão altas (a níveis de 1990) e o estoque de gás está 34% maior que mesmo período de 2008.
Mas a queda abrupta de preços do petróleo abaixo dos U$60 que muitos analistas previam não se concretizou...Preços muito superiores aos U$60 nem a OPEP quer com medo que comprometa a recuperação econômica - um aumento de U$10 no preço do barril faz com que os EUA desembolsem a mais U$ 6 bilhões por mês.
Ou seja, a barreira a ser vencida pelos dois lados é mesmo U$60 o barril em 2009... o que pode ser o equilíbrio das forças.
Quando se avalia a competitividade do COMPERJ muitos analistas apenas colocam seu foco na diferença de preço do petróleo pesado de Marlim e do petróleo leve - e mais valorizado - como o Brent. Isto demonstra que quando o petróleo estava a U$150 o spread de preços entre eles estava alto...e agora com petróleo a U$60 bem menor. Assim, a competitividade do COMPERJ diminuiu.
Mas a análise não pode ter somente este foco. O valor da oportunidade de negócio da integração entre o refino com petróleo pesado de Marlim e a petroquímica está na valoração das correntes do refino como petroquímicos básicos para a produção de derivados petroquímicos, como o eteno, e o seu custo "cash cost" para ser produzido.
O Brasil, como a Europa, tem na base da produção de eteno a nafta petroquímica, derivada do petróleo. Já no Oriente Médio países como a Arábia Saudita e o Irã têm o etano, este derivado do gás natural. Os preços do etano no Oriente Médio são muitos baixos: próximos a U$1 por milhão de BTU na Arábia Saudita e Irã. Isto torna o "cash cost" para a produção de eteno próximo a U$250/tonelada, a mais competitivo do mundo.
No Brasil quando o petróleo estava próximo a U$150 o barril o "cash cost" do eteno de uma central petroquímica base nafta estava próximo a U$1.300/tonelada...um valor quase incomparável com os custos base etano do Oriente Médio (U$250/tonelada). Agora com o petróleo próximo a U$60 o barril o "cash cost" do eteno de uma central base nafta no Brasil está em U$750/tonelada.
Como não sabemos ainda com detalhes a estrutura de custos do COMPERJ não temos claro o seu "cash cost" para produção do eteno, mas com certeza sabemos que ele está bem menor que quando petróleo estava mais elevado.
Ou seja, o COMPERJ está mais competitivo...a diferença com o "cash cost" para a produção do eteno mais competitivo do Oriente Médio ficou menor.
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