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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
É difícil de se acreditar que a Arábia Saudita, um dos principais players mundiais no setor de petroquímica e energia, esteja passando por dificuldades de abastecimento de energia elétrica. Mesmo dono das maiores reservas de óleo bruto do mundo e das quartas maiores reservas de gás natural (com mais de 7,5 trilhões de metros cúbicos), o país atravessa um período de crescimento acentuado na demanda por energia elétrica, com utilização ao limite da sua capacidade de geração. Previsões do governo saudita mostram que a demanda crescerá de 41 MW em 2009 para 75 MW em 2020 - quase o dobro em pouco mais de 10 anos.
Parte da culpa por esta crise energética pode ser dada, ironicamente, ao óleo bruto. O fato de os sauditas dominarem o mercado mundial do petróleo desvia as atenções do país de suas reservas de gás natural - combustível amplamente empregado na geração de energia -, focando-se na extração e na comercialização do óleo bruto. O fim da crise energética pode estar na reformulação da indústria química do país, através de uma maior exploração dos gás natural e da revisão de sua precificação.
Desde há muito, os preços do gás natural na Arábia Saudita são dos mais baixos praticados no mundo devido a altos subsídios do governo (a Saudi Aramco, petroquímica local, negocia o gás a US$ 0,75 por milhão de BTUs, enquanto os americanos não o compram por menos de US$ 3,50 por milhão de BTUs). Esta matéria-prima barata é amplamente utilizada pelas petroquímicas do país, que se tornam mais competitivas em escala global que suas concorrentes cujo processo produtivo é baseado na nafta. No entanto, estes baixos preços do gás, que não cobrem nem o seu custo de produção, não incentivam as empresas do ramo a melhor explorar as reservas sauditas de gás natural.
A fim de se retomar a segurança energética do país, o próximo passo da Arábia Saudita deve ser a elevação dos preços do gás natural no mercado interno, adotando-se valores mais próximos dos praticados a nível mundial. Igualmente, deve haver uma grande adição de nova capacidade de geração de energia elétrica, principalmente termelétricas a gás natural. Teme-se que a reforma de preços possa desestabilizar momentaneamente a economia saudita, mas tal mudança deve ser feita para aumentar a disponibilidade do gás no país, assegurando um fornecimento constante de combustível para as termelétricas.

Foi no Iraque, em 1960, então uma potência petrolífera, que se criou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Desde então, as invasões do Irã, em 1980, e do Kuwait, em 1990, acarretaram a queda vertiginosa da produção de hidrocarbonetos do país, de 3,5 milhões de barris por dia logo antes da guerra Irã-Iraque aos 2,4 milhões de barris diários atuais. No entanto, a produção iraquiana de petróleo volta, pouco a pouco, aos seus patamares de outrora. As exportações de óleo bruto em fevereiro atingiram 2,069 milhões de barris - o maior nível desde 1990. Este resultado, contudo, parece pequeno frente ao tamanho da reserva iraquiana de petróleo: 115 bilhões de barris, a terceira maior do planeta.
Isto é fruto da retomada da produção de petróleo do Iraque, anunciada em 2009. A atual exploração das reservas iraquianas é feita por companhias de todo o mundo (ocidentais, russas e asiáticas), que estavam proibidas de operar no país há mais de trinta anos. O governo lhes abriu novamente as portas a fim de acelerar a extração do petróleo bruto de dez dos mais importantes campos do país - e outros onze serão leiloados posteriormente.
O objetivo fixado pelo ministro do petróleo, Hussein Al-Chahristani, é ambicioso, almejando a extração de 10 a 12 milhões de barris por dia até 2020, se equiparando ao nível de produção da Arábia Saudita. Para outras empresas, como a Saudi Aramco, uma produção de 4 a 5 milhões de barris por dia em 2015 já seria um excelente resultado. Todavia, Arábia Saudita e Irã veem com inquietação o crescimento da extração de petróleo no país vizinho, atualmente o único membro da OPEP que não é submetido a uma cota de produção. Os iraquianos não querem negociar com o cartel antes de 2011, mas já reivindicaram uma futura cota equivalente à dos sauditas. No entanto, nem Riad nem Teerã aceitariam uma produção iraquiana diária de 10 milhões de barris, que conduziria a uma queda nos preços do petróleo.
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