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Os rumos da indústria do etanol com a abertura do mercado americano

Os rumos da indústria do etanol com a abertura do mercado americano

A indústria do etanol recebeu o ano novo com outra perspectiva. Os produtores de etanol em todo o mundo tiveram motivos de sobra para comemorar o ano novo, quando o relógio bateu meia-noite no dia 31 de dezembro.

A euforia é resultado do final do subsídio de etanol nos EUA, assim como o final da tarifa de importação, ambas as medidas expiraram em 31 de dezembro. O Brasil prontamente está para ganhar uma grande fatia do mercado norte-americano, já este agora está aberto para o mundo. A tendência é que o etanol de cana e de beterraba abasteça o insaciável mercado americano, onde o produto local (etanol de milho), será menos desejável por ser mais caro e menos avançado, segundo classificação da Agência de Proteção Ambiental.

Com isso, se pode esperar um desaparecimento gradual do etanol à base de milho, já que na comparação com cana e beterraba ele está em visível desvantagem. É provável que isso cause o aparecimento de novas políticas que incentivem o consumo de outras matérias-primas para etanol nos EUA.

O grande fato é que os legisladores dos EUA não renovaram o subsídio nacional ao etanol e as ações de proteção a indústria que prevê tarifas sobre as importações de biocombustíveis. Tais medidas são renovadas pelo congresso a cada 2 anos, desde 1980. Porém, em 2012, devido ao atual clima econômico, não foi possível justificar o custo dessa renovação, algo em torno de US$ 6 bilhões.

A queda da tarifa de importação será um indiscutível benefício para o etanol de cana do Brasil. Apesar do país exportar atualmente 1,5 bilhão de litros de etanol, dos quais 60% vai para o mercado americano, 2011 foi um ano ruim para a safra brasileira e o país teve que importar uma quantidade recorde de etanol para suprir EUA, o que pode parecer uma insanidade, porém é assim que o mercado funciona, existe compra e venda de etanol entre os mesmos países.

No futuro parece estar nítido que haverá uma forte renovação em investimentos estrangeiros para novas usinas de cana de açúcar e destilarias de etanol no Brasil. Nos últimos anos houve um declínio acentuado em projetos "greenfield", o que aliado com uma safra ruim, foi um dos principais fatores que contribuíram para a escassez do produto hoje no Brasil.

Em comparação, a demanda nos EUA está garantida até 2022 devido ao mandato federal que exige das refinarias a mistura elevada de etanol com a gasolina.

De acordo com a UNICA, o Brasil tem potencial para exportar 15 bilhões de litros para os EUA até 2022. Até essa data os mandatos do governo americano exigem que 57% do etanol consumido seja "avançado", classificação que o etanol de cana do Brasil adquiriu em 2010, pois emite até 90% menos gases de efeito estufa que a gasolina.

A questão chave que não pode passar despercebida é que esta é uma oportunidade única para ambas as indústrias de etanol, tanto a brasileira quanto a norte-americana, de prosperarem juntas. EUA e Brasil são responsáveis por mais de 80% da produção mundial de etanol, e a princípio não irão impor nenhuma tarifa especial de importação. A partir disso, os dois países terão certamente grande influência no desenvolvimento de um mercado global livre para o etanol, transformando-o de vez em uma commodity e se assemelhando cada vez mais a uma sistemática mercadológica semelhante ao petróleo.

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Entenda mais sobre o mercado de etanol e seus novos usos para a indústria química.
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Postado por: Maurício Jaroski Gomes em 06/01/2012


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