Aliança Estratégia com IHS para América do Sul

Maxi BLOG

O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica

Competitividade: onde estamos, para onde vamos?

Algumas análises recentes retomam um tema tão desgastado quanto atual, o da posição do Brasil em termos de produtividade e competitividade no cenário global.

O Instituto Brasileiro de Economia da FGV divulgou que a produtividade total dos fatores recuou pelo terceiro ano consecutivo em 2016. A OMC iniciou nessa semana uma avaliação sobre estímulos governamentais no Brasil onde relata que “a indústria brasileira desenvolve uma dependência crescente em relação a incentivos, em vez de melhorar a competitividade internacional”.

Quando olhamos o cenário atual da indústria automotiva, percebe-se forte aderência de tais analises com a realidade atual do Brasil. A produção automotiva está sendo impulsionada pelas exportações, porém estas ainda não são sustentáveis no médio e longo prazo, pois o Brasil fica atrás de Colômbia e México, por exemplo, em competitividade de exportação.

A desvantagem do Brasil é ainda maior quando avaliado na dinâmica atual da chamada Quarta Revolução Industrial - que tem por base o uso de tecnologias físicas e digitais integradas ao longo de todas as etapas, do desenvolvimento do produto aos serviços atrelados a este. Estudo da CNI evidenciou o quão longe as empresas brasileiras ainda estão dessa realidade mundial que está mudando os níveis de competitividade em todos os setores industriais.

Ainda esse ano deve ser divulgado o novo programa de incentivos à indústria automotiva, o Rota2030, que terá a missão de colocar a indústria automotiva num patamar superior de competitividade global. Tomara que as medidas se traduzam nesse objetivo, que deveria ser nada menos que o fim principal dos incentivos concedidos aos diversos setores industriais do Brasil. Que o Rota2030 seja o precursor para as demais cadeias produtivas. A indústria química agradece.

Postado por: Tais Sozo Marcon em 19/07/2017


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Petrobras: avaliação econômica e política

Na semana em que o ex-presidente mais popular na história recente do Brasil é condenado em primeira instância e o atual presidente é julgado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, pergunto se existe uma relação destes marcantes fatos com a Petrobras.

Sim, existe. O ex-presidente Lula foi um fiel defensor em seus dois mandatos de uma Petrobras forte e estatal. O final disto todos conhecemos. Primeiro, uma Petrobras com desenvolvimento tecnológico de ponta para descobrir e explorar o pré-sal (a maior descoberta recentes de petróleo no mundo) e, depois, uma Petrobras com a maior dívida do mundo devido as escolhas empresarias erradas nos seus negócios e a corrupção que envolveu a empresa. O presidente Temer é um esforçado defensor de uma Petrobras menor, mais ágil, menos endividada e com indicadores econômicos próximos de uma empresa privada, mesmo que isto custe um menor conteúdo nacional.

Assim, gostaria da sua opinião. A minha pergunta não é para querer saber quem está certo no modelo de empresa: Lula ou Temer. Quem fez mais para o Brasil em relação a Petrobras, sendo ela uma empresa estatal: Lula ou Temer.

A minha pergunta é: hoje, você é a favor da venda da Petrobras para o capital privado, sendo ele nacional ou internacional? Pense economicamente e politicamente.

Obrigado. Adoraria sua resposta (zuneda@maxiquim.com.br).

Postado por: João Luiz Zuñeda em 13/07/2017


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joao ernesto
Postado em: 17/07/2017

A Petrobrás seria viável se ocorresse a sua venda, logicamente depois de equacionado toda a dívida e alguns gargalos. Eliminar o protencionismo é uma alternativa para o país crescer. É inadimissivel termos apenas 01 distribuidora de petroleo, exploração monopolista, ter uma única petroquimica que adota o "dumping" e não investe de forma adequada privilegiando suas margens no país e investindo altos valores e associações no exterior. O livre mercado faz de um país mais competitivo. Retirando do governo a responsabilidade de administrar empresas e colocando seu verdadeiro papel que é regulamentar, fiscalizar e distribuir as receitas arrecadas dos impostos para áreas que atendem as necessidades reais da nação, Educação - Saúde - Empresas. Nessa venda tem que possuir capital brasileiro participando, mas deveria haver estrangeiro também para não criar as mesmas amarras que possuimos hoje.




Paulo Macaúbas
Postado em: 13/07/2017

Parabéns pela colocação do assunto que é fundamental. A pergunta é sobre a Petrobras, mas minha resposta é genérica. Qualquer empresa que tenha como seu maior acionista o Tesouro Nacional funciona de maneira distinta. Eventuais maus negócios e prejuízos serão prontamente cobertos pelos pagadores de impostos. Uma empresa gerida pelo governo não opera sujeita ao mecanismo de lucros e prejuízos, pois todos os déficits serão cobertos pelo Tesouro. O interesse do consumidor e acionistas, caso a estatal tenha capital aberto, é a última variável a ser considerada. Como mostram os esquemas de propinas em licitações, estatais não operam de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Elas não operam segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos. Se uma empresa genuinamente privada se dispusesse a pagar um preço mais alto que o de mercado para contratar empreiteiras para fazer obras, seu capital seria destruído, seus acionistas se desfariam de suas ações, o valor de mercado da empresa despencaria e, na melhor das hipóteses, ela teria de ser vendida para outros controladores. O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos. Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico. Por não ter uma racionalidade, uma preocupação com lucros e prejuízos, as estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, cujos políticos do partido estão em seu comando. Empresas privadas estão interessadas em lucro. E o lucro só ocorre se tais empresas estiverem servindo bem aos consumidores. Empresas estatais representam uma oportunidade de políticos indicarem protegidos para ocuparem cargos em sua direção. As obras contratadas por estatais são mais vultosas do que obras contratadas por ministérios. O dinheiro de uma estatal é muito mais farto. E, quanto mais farto, maior a facilidade para se fazer desvios. A privatização, por si só, já é um avanço. Mas pequeno. Pouco efeito terá caso a empresa privatizada continue operando dentro de um mercado protegido pelo governo, no qual não há liberdade de entrada para novos concorrentes. Sob esse arranjo, a empresa continuará sendo ineficiente. Privatizar e desestatizar não significa apenas aumentar as escolhas dos consumidores, mas diminuir ou cortar as escolhas dos políticos; não exprime tão somente diminuir o desperdício de gastos públicos, mas aumentar os recursos em posse do setor privado, os quais são alocados de maneira muito mais produtiva.




Sairemos dessa crise

Está demorando mais do que o previsto, mas o Brasil vai sair dessa crise. Começamos 2017 afirmando que terminaríamos melhor do que iniciamos. Então, em maio, o mercado se surpreendeu com as gravações da JBS, o real desvalorizou-se, e a bola de neve vai aumentando: a confiança caiu, o consumidor final está gastando cada vez menos, o desemprego só aumenta. O setor que apresenta melhor desempenho é o agrícola, com safras recordes. O mercado de resinas agradece, mas precisa mais, muito mais. Por outro lado, a construção civil amarga quedas recordes, e isso é facilmente observado nas cidades, com prédios residenciais e obras públicas paralisadas por falta de verba, e dúzias de placas “aluga-se”.

Segundo as projeções da MaxiQuim, o consumo de resinas termoplásticas em 2017 vai ficar praticamente estável. Mas, em 2018, os principais mercados afetados vão iniciar uma recuperação, e aqueles setores que geralmente andam bem seguirão assim. Segundo nossas estimativas, o consumo de resinas vai crescer na faixa de 3% no próximo ano. O volume vai voltar aos níveis saudáveis em meados de 2019.

A indústria de transformação de plástico brasileira está pessimista, não consegue prever o que acontecerá no próximo mês, as vendas estão instáveis. Mas temos que pensar positivo, nenhuma crise é eterna.

 

Postado por: Marta Loss Drummond em 05/07/2017


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Os - quase - Projetos Petroquímicos na América Latina

Decididamente a América Latina não é para principiantes. À exceção de casos bem-sucedidos, como o da Braskem Idesa em Nanchital, no México, da Styrolution em Camaçari, e da Innova, em Triunfo, no Brasil, há sempre uma nuvem de desconfiança acerca dos anunciados projetos de investimento na região. Difere do que ocorre nos países avançados, onde um percentual bastante alto de projetos chega à conclusão, pois os anúncios normalmente são feitos sobre bases sólidas, muitas vezes já com fornecedores de tecnologia selecionados, precificação de matérias-primas e localização definidas, além de encaminhadas as permissões de órgãos de regulação.

Não podemos esquecer das lições do projeto Comperj, que de uma ideia de transformar petróleo pesado em petroquímicos básicos e produtos plásticos, transformou-se em uma refinaria, para depois ficar paralisado e sem cronograma para conclusão. Tampouco podemos apagar da memória os projetos na Venezuela, onde até pedra fundamental foi enterrada, mas não houve condições para dar sequência. Ou o caso do Peru, onde havia uma ideia de que a petroquímica poderia levar desenvolvimento para a carente região sul do país.

O mais novo caso é o da Bolívia, que, após sucessivos anúncios, etapas de conceito, desenvolvimento, definição de tecnologia, contratação de consórcio de empresas para sua construção, eis que surgem denúncias de irregularidades na contratação de equipamentos para exploração de óleo e gás, o que põe em dúvida todos os processos de licitação da empresa estatal YPFB, e se termina por anular o contrato que havia com o consórcio ítalo-espanhol formado por Tecnimont e Técnicas Reunidas.

A América Latina é deficitária em termos de produtos químicos, petroquímicos e resinas plásticas, e também em combustíveis líquidos. A demanda está aí, mas fatias cada vez maiores de importações vem tomando espaço no mercado. Não fosse a forte recessão que atingiu o Brasil, e que gerou ondas de choque nos vizinhos, seriam ainda maiores os volumes de importações para a região. Parte das razões para os crescentes déficits reside na incapacidade dos entes estatais locais de antever os movimentos do mercado global e contrapor com políticas de desenvolvimento que equilibram as condições de competitividade com o que acontece no resto do mundo. Outra parcela da culpa é a posição dominante dos governos sobre as petroleiras locais, tornando-as instrumento de políticas públicas, nem sempre alinhadas às melhores opções de crescimento das próprias empresas. Completando o tripé, estão as empresas privadas locais e internacionais, que, ao perceberem sinais de que as coisas não vão andar como esperado, decidem pelo óbvio e investem nos Estados Unidos, Canadá, Oriente Médio e China.

Postado por: Otávio Carvalho em 28/06/2017


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Medidas da OPEP ainda não foram suficientes para elevar preços de petróleo

Desde o início do ano as atenções do mundo no que tange o mercado internacional de petróleo estavam voltadas ao impacto efetivo do acordo entre os países produtores de petróleo, com adesão da OPEP, Rússia e outras nações produtoras. Tal acordo firmou um pacto para cortes na quantidade produzida de petróleo a fim de elevar o patamar de precificação do insumo que permanecia abaixo de US$ 50/barril desde meados de 2015.

O acordo aprovado em novembro de 2016 e em vigor desde janeiro deste ano previa a retirada do mercado de 1,8 milhões de barris de petróleo por dia durante o primeiro semestre de 2017 e envolveu além dos 13 países da OPEP, outros produtores de petróleo como a Rússia, Omã, México, Cazaquistão, Azerbaijão e Malásia.

Pois bem, hoje estamos perto da metade do ano, ou seja, quase seis meses após a assinatura do acordo, e é possível afirmar que ele foi insuficiente para cumprir seus objetivos. Desde o anúncio do pacto os preços permaneceram oscilando acima dos US$ 50/barril, mas longe do desejável pelos grandes exportadores de petróleo.

De forma efetiva, podemos dizer que a elevação do patamar de preços acima dos US$ 50/barril se deu muito mais em função da expectativa do mercado do que pelo enxugamento da oferta do produto, e o motivo para tal conclusão é que o pacto não foi bem-sucedido em equilibrar a oferta de forma compatível com a demanda. Coincidentemente ou não, o incremento da produção de petróleo de fontes não convencionais nos Estados Unidos nesse período desestabilizou o acordo. Pode ter sido uma resposta ou apenas uma reação de mercado frente ao acordo presidido pela OPEP, mas o fato é que o aumento de produção por parte dos Estados Unidos e, consequentemente, a redução das importações norte-americanas impactaram diretamente o mercado global.

É uma conta simples: o aumento da produção nos Estados Unidos ocasionou a falta do cumprimento do acordo por parte da Rússia, Omã, Cazaquistão e Malásia, o que explica a persistência do desequilíbrio entre a oferta e a demanda e não contribui para o intento de reajustes nos preços. Além disso, vale citar que até mesmo países da própria OPEP descumpriram suas metas de redução de produção com receio de perder seu market-share global.

Resta saber se o novo acordo firmado pela OPEP, Rússia e demais países agora no final de maio – na reunião realizada em Viena, onde foi renovado nova meta de redução da produção de petróleo por mais 9 meses – será cumprido ou se o mercado terá que se alimentar novamente apenas de expectativa.

Postado por: Maurício Jaroski Gomes em 07/06/2017


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A contínua reestruturação da indústria química

A indústria química mundial está passando por uma nova fase dentro do processo de reestruturação. Nos anos 90, os players do setor operavam com altos níveis de integração ao longo da cadeia, e eram caracterizados por altas escalas de produção e alta concentração de capital. Nas décadas seguintes, novos desafios surgiram, como a globalização, a comoditização dos produtos e a redução da capacidade de inovação, exigindo mudanças no posicionamento estratégico das empresas.

No período seguinte, que segue então até os dias de hoje, a estratégia foi a de realinhar portfólios com foco do downstream, principalmente nos Estados Unidos e Europa, gerando redução de custos e crescimento geral maior quando comparado a um portfólio mais abrangente, preservando então as margens do negócio. Nesse sentido, vários desinvestimentos foram realizados, com empresas se desfazendo de linhas de negócio fora do seu core business, e ao mesmo tempo, outras empresas foram se formando, com portfólios bem definidos. Tais movimentos geraram então um alto número de transações de fusões e aquisições na indústria química mundial. A figura abaixo mostra o número de transações recentes na indústria química. 

 

Players da Ásia e Oriente Médio também incrementaram os movimentos de fusões e aquisições, ampliando o nível de integração downstream até os químicos intermediários, a fim de agregar valor à matéria-prima.

O recente acordo de fusão da ClariantHustman sinaliza que tais movimentos seguem esse ano, de modo a reposicionar as empresas do setor a uma nova realidade de concorrência mundial, onde os players estão buscando escala global, mesmo no âmbito das especialidades.

Postado por: Tais Sozo Marcon em 31/05/2017


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Programa Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): uma meta do presidente da empresa

Assim como segurança operacional e meio-ambiente já estão no alinhamento estratégico das empresas químicas para mitigar problemas com acionistas, entidades, governos e sociedade civil, a PNRS começa a se destacar como um tema que deve entrar também neste universo.

Acordo setorial, logística reversa e responsabilidades compartilhadas são temas que cada vez mais começam a chegar nas reuniões com os presidentes das empresas químicas trazidas pelos seus líderes de negócios. Já vemos que muitos presidentes de empresas químicas no Brasil colocaram este tema como prioridade estratégica.

O papel das entidades que representam estas empresas no acordo de coalização liderado pelo CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem) deve estar alinhado em objetivos comuns, pragmáticos e de rápida implementação na PNRS. Por exemplo, o sistema atual tem que representar objetivamente e juridicamente as empresas industriais.

É necessário um alinhamento de ações relativas ao acordo setorial, CEMPRE e associações e empresas da coalizão. Um exemplo: ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) e Plastivida (Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos) tem que estar na mesma direção estratégica, mesmo que seus objetivos de curto prazo sejam diferentes. Elas não são concorrentes. Só assim a PNRS será eficiente na indústria química e de plásticos e os líderes destas empresas tomarão o tema como estratégico.

Postado por: João Luiz Zuñeda em 23/05/2017


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O mercado sem crise

Nenhuma crise é eterna, já falei isso aqui. Essa semana a “prévia do PIB” no 1º trimestre mostrou crescimento de 1,1% e mostrou uma luz no fim do túnel. Aos poucos, o Brasil vai sair dessa. Mas nos períodos de crise, alguns setores sofrem mais, principalmente os relacionados a bens duráveis, como construção civil e automobilístico. Por outro lado, alguns passam quase ilesos, como o de produtos para animais de estimação. Enquanto o consumidor final economiza comprando uma marca mais acessível de arroz, macarrão, biscoito, o sacrifício na ração do pet é um dos últimos a acontecer. No dia 1º de maio de 2017, no Brasil, os animais deixaram, legalmente, de ser considerados coisas e passaramm a ser reconhecidos como “seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica”. E é crescente e impressionante o envolvimento da sociedade e o investimento em produtos para os animaizinhos: lojas de alimentação natural, musicoterapia, homeopatia, adestramento, creche, e a lista é extensa.

O Brasil possui mais de 130 milhões de animais de estimação, de acordo com o IBGE. Segundo a ABINPET (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), o faturamento do setor no ano de 2016 cresceu cerca de 5% em relação ao ano anterior, somando R$ 18,9 bilhões. Desse montante, Pet food representa cerca de 67%, enquanto o restante está dividido em medicamentos veterinários, produtos de higiene, serviços, entre outros. Houve queda nas exportações e a associação afirma que o setor foi prejudicado, mas os números ainda são positivos.

Transformadores de plástico atuantes em diversos setores estão diminuindo sua participação em embalagens commodities, como arroz, feijão e macarrão, e investindo em pet food. Sendo o consumidor final de quatro patas extremamente exigente, as empresas investem no desenvolvimento de embalagens com barreira, multicamada, com a finalidade de manter o alto padrão e intacta a ração. A ração recebe tanta atenção quanto os alimentos para os humanos. E a indústria de transformação plástica agradece.

Para acompanhar os preços de resinas termoplásticas, matérias primas para embalagens de Pet food, entre em contato conosco através do email multiclient@maxiquim.com.br.

Postado por: Marta Loss Drummond em 18/05/2017


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Reflexões do WPC 2017

 É sempre válida a viagem ao World Petrochemical Conference. Esse ano, valeu para saber o estado da indústria, que vive um círculo virtuoso que se formou para o segmento de energia e petroquímica, a partir da revolução do gás e o óleo de xisto. Valeu para conhecer melhor o andamento dos vários projetos de investimento em novas unidades e ampliações de fábricas existentes. Valeu para saber que não é apenas na costa do golfo que as empresas americanas estão investindo, mas também no nordeste americano e no Canadá.

Lá ficamos sabendo que os projetos americanos também atrasam, também enfrentam elevações de custo no fornecimento de materiais equipamentos, também sentem dificuldades para fazer andar dentro da burocracia estatal, das agências reguladoras e de proteção do meio-ambiente. Também enfrentam questões sociais, como a resistência de certas comunidades que se opõem a projetos com medo de contaminação da água, do ar, riscos de vazamento de gases tóxicos ou explosões. Mas nada nem próximo do que experimentamos no Brasil nos últimos anos.

O Brasil já teve papel de destaque no WPC em anos anteriores, mais precisamente no início da década, quando a economia crescia rapidamente, a demanda de resinas voava e a tendência era que o mercado brasileiro responderia por uma parcela significativa do destino das novas capacidades norte-americanas. Essa ilusão durou até 2014, quando a maior recessão da história brasileira fez o mundo esquecer do Brasil, citado apenas em notas de rodapé ou em conjunto com outros países. Somos agora parte dos países emergentes, resto do mundo. Nem se fala mais em BRICs, pois, assim como a Rússia, nossa economia já não tem mais muito que ver com China e Índia. Ainda há interesse no Brasil, mas sobretudo para tentar projetar como ficará a indústria com a eventual saída da Petrobras do negócio.

Quanto à China, o gigante asiático decidiu caminhar pela rota das matérias-primas não convencionais para a produção de petroquímicos básicos, a partir do carvão e do metanol. São dezenas de projetos de médio-porte, que, se implementados integralmente, ainda assim não serão suficientes para torna-la autossuficiente em químicos básicos e resinas. Diferente percepção vem do Oriente Médio, onde as matérias-primas para novos projetos são cada vez mais escassas e mais caras e onde cada vez menos projetos são anunciados ou executados.

Quanto às perspectivas, as projeções de preços de petróleo, apesar do alto grau de incerteza, continuam comportadas, e há uma visão mais positiva do que seria o equilíbrio entre oferta e demanda de eteno e derivados. Com isso, as projeções de margens da indústria química e petroquímica melhoraram substancialmente de edições passadas para essa. Também já começam a aparecer nas apresentações os prováveis impactos das mudanças que adviriam quando houver, e se ocorrer, a adoção maciça dos veículos elétricos (EVs) ou autônomos (DECs).

Uma projeção que se manteve intacta é que a revolução do gás de xisto continuará tendo efeitos sobre os preços de gás por muitos anos, uma vez que as reservas são muito abundantes e o risco geológico é muito baixo. Haveria uma mudança drástica apenas se os preços de petróleo caíssem para a casa dos US$30 por barril, o que, por enquanto, não parece estar nas projeções.

Mas, sobretudo, visitar o Texas e participar do WPC é uma experiência enriquecedora do ponto de vista pessoal e profissional, ao debater e conhecer realidades distintas vivenciadas por pessoas ligadas à indústria química e petroquímica dos quatro cantos do mundo. Marquem na agenda: o próximo é em março de 2018.

Postado por: Otávio Carvalho em 10/05/2017


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Otávio Carvalho
Postado em: 31/05/2017

Foi essa a ideia, Ramos. Forte abraço e sucesso.




Luis Ramos
Postado em: 11/05/2017

Caro Otávio, Para quem não pode estar lá, como eu, suas reflexões foram uma excelente sinopse dos acontecimentos atuais e futuros. Parabéns. Abraço e sucesso.




O mercado de resinas recicladas engatinhou em 2016

O ano de 2016 foi um ano sofrível para a indústria no Brasil e, com a indústria de resinas recicladas, não foi diferente. Com a retração do PIB de 3,6% e redução da produção industrial em 6,6%, a indústria de reciclagem, que é pouco resiliente a fatores macroeconômicos externos, fechou o ano com vendas muito aquém do esperado.

Podemos tentar entender melhor em que consiste a falta de resiliência dessa indústria, elencando os seguintes fatores, que estão diretamente correlacionados:

1) O consumidor final, com menor poder de compra em função da recessão econômica, consome menos bens de consumo com conteúdo plástico;
2) Por sua vez, com essa redução de demanda, a indústria de produtos plásticos produz menos, requerendo menos resinas recicladas como matéria-prima e gerando menos aparas industriais que é destinado a indústria de reciclagem;
3) Com o menor consumo por parte do end-user, o descarte de embalagens ou de outros resíduos plásticos que seria destinado a reciclagem também é menor.

Fica evidente o quão a indústria de reciclagem é fragilizada em função desses três fatores. Basta reparar que ela é pressionada tanto a jusante quanto a montante na cadeia onde está inserida. Ou seja, ela enfrenta desafios tanto na menor disponibilidade do fornecimento de matéria-prima quanto nos desaquecidos mercados consumidores de produtos plásticos. São gargalos que pressionam o desemprenho do negócio tanto na entrada quando na saída.

Todos esses fatores também ficam perceptíveis nos preços praticados por essa indústria ao longo do ano. Em 2016, podemos dizer que se aplicou a máxima dos especialistas do mercado de ações (com o perdão da redundância): “O preço precifica tudo”. Ou seja, muitas vezes o preço – ou a variação dele – reflete a situação e a perspectiva futura do valor de um ativo. No caso da indústria de reciclagem, os preços praticados na comercialização das resinas diagnosticam a situação frágil e impotente que essa indústria enfrentou no período.

Para termos alguns parâmetros: os preços das resinas recicladas ao longo de 2016, contabilizando PEs, PP, PVC, PS e PVC, caíram, em média, 4%. Ou seja, a indústria sequer conseguiu esboçar uma tentativa de reajuste ao longo do ano. Os preços foram congelados e/ou foram reduzidos de forma gradual como estratégia para manter um volume admissível de vendas. Ao lembrarmos que o IPCA acumulado em 2016 foi de 6,29%, fica ainda mais evidente a perda de valor real do produto reciclado. Ainda, vale mencionar, as resinas virgens apresentaram um comportamento de preços oposto, contabilizando uma alta de 8%, em média, entre janeiro e dezembro de 2016. Conclusão: mesmo com o aumento de competitividade na precificação das resinas recicladas frente as resinas virgens, a indústria de reciclagem não conseguiu um ambiente favorável para aumentar produção e vendas em função dos fatores supracitados.

Para saber mais e acompanhar mensalmente o mercado de resinas recicladas, conheça o MMR – Resinas Recicladas, o relatório da MaxiQuim que monitora os preços e o mercado das resinas recicladas de PEAD, PEBD/PEBDL, PP, PVC, PS e PET. Envie um e-mail para multiclient@maxiquim.com.br e peça mais informações.

Postado por: Maurício Jaroski Gomes em 03/05/2017


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