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O blog da MaxiQuim. Leia aqui textos de especialistas no mercado da indústria química e petroquímica
A indústria do etanol recebeu o ano novo com outra perspectiva. Os produtores de etanol em todo o mundo tiveram motivos de sobra para comemorar o ano novo, quando o relógio bateu meia-noite no dia 31 de dezembro.
A euforia é resultado do final do subsídio de etanol nos EUA, assim como o final da tarifa de importação, ambas as medidas expiraram em 31 de dezembro. O Brasil prontamente está para ganhar uma grande fatia do mercado norte-americano, já este agora está aberto para o mundo. A tendência é que o etanol de cana e de beterraba abasteça o insaciável mercado americano, onde o produto local (etanol de milho), será menos desejável por ser mais caro e menos avançado, segundo classificação da Agência de Proteção Ambiental.
Com isso, se pode esperar um desaparecimento gradual do etanol à base de milho, já que na comparação com cana e beterraba ele está em visível desvantagem. É provável que isso cause o aparecimento de novas políticas que incentivem o consumo de outras matérias-primas para etanol nos EUA.
O grande fato é que os legisladores dos EUA não renovaram o subsídio nacional ao etanol e as ações de proteção a indústria que prevê tarifas sobre as importações de biocombustíveis. Tais medidas são renovadas pelo congresso a cada 2 anos, desde 1980. Porém, em 2012, devido ao atual clima econômico, não foi possível justificar o custo dessa renovação, algo em torno de US$ 6 bilhões.
A queda da tarifa de importação será um indiscutível benefício para o etanol de cana do Brasil. Apesar do país exportar atualmente 1,5 bilhão de litros de etanol, dos quais 60% vai para o mercado americano, 2011 foi um ano ruim para a safra brasileira e o país teve que importar uma quantidade recorde de etanol para suprir EUA, o que pode parecer uma insanidade, porém é assim que o mercado funciona, existe compra e venda de etanol entre os mesmos países.
No futuro parece estar nítido que haverá uma forte renovação em investimentos estrangeiros para novas usinas de cana de açúcar e destilarias de etanol no Brasil. Nos últimos anos houve um declínio acentuado em projetos "greenfield", o que aliado com uma safra ruim, foi um dos principais fatores que contribuíram para a escassez do produto hoje no Brasil.
Em comparação, a demanda nos EUA está garantida até 2022 devido ao mandato federal que exige das refinarias a mistura elevada de etanol com a gasolina.
De acordo com a UNICA, o Brasil tem potencial para exportar 15 bilhões de litros para os EUA até 2022. Até essa data os mandatos do governo americano exigem que 57% do etanol consumido seja "avançado", classificação que o etanol de cana do Brasil adquiriu em 2010, pois emite até 90% menos gases de efeito estufa que a gasolina.
A questão chave que não pode passar despercebida é que esta é uma oportunidade única para ambas as indústrias de etanol, tanto a brasileira quanto a norte-americana, de prosperarem juntas. EUA e Brasil são responsáveis por mais de 80% da produção mundial de etanol, e a princípio não irão impor nenhuma tarifa especial de importação. A partir disso, os dois países terão certamente grande influência no desenvolvimento de um mercado global livre para o etanol, transformando-o de vez em uma commodity e se assemelhando cada vez mais a uma sistemática mercadológica semelhante ao petróleo.
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Entenda mais sobre o mercado de etanol e seus novos usos para a indústria química.
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A polêmica em torno da construção do oleoduto Keystone XL entre o Canadá e os EUA está longe de acabar. Toda emblemática se resume em um balanço de prós e contras entre fatores econômicos e ambientais, restando apenas saber qual se sobressairá no final. O oleoduto Keystone XL é um projeto que existe há alguns anos e está cada vez mais consolidado. O projeto visa o transporte de petróleo pesado da região de Alberta, no Canadá, para refinarias em Oklahoma e ao redor de Houston, no Texas. Neste percurso, o oleoduto cruza o território de seis estados norte-americanos, em um total de 3.200 quilômetros de extensão.
O oleoduto teria capacidade para transportar entre 700 a 800 mil barris de petróleo cru por dia e sua construção está avaliada em US$ 7 bilhões. Estima-se que as reservas recuperáveis em Alberta sejam de 300 bilhões de barris de petróleo. A grande questão ambiental aqui é que o petróleo que o oleoduto visa transportar é proveniente de areias betuminosas, as chamadas tight sand. Segundo levantamentos, a exploração deste petróleo é responsável por três vezes mais emissões de carbono quando comparadas com o petróleo normal. Além do mais, este petróleo exige altos requisitos energéticos para ser extraído, liquefeito e colocado no oleoduto para distribuição. Em caso de catástrofes ambientais, a situação é extremamente agravante, visto que este petróleo é mais denso, mais abrasivo e mais corrosivo.
De fato, os números não jogam a favor da TransCanada, empresa a qual pertenceria o oleoduto. A primeira construção deste gênero feita com tecnologia de ponta já provocou 17 derrames, só no primeiro ano de operação. Estes dados preocupam, pois caso seja confirmada a construção do Keystone XL, ele cruzaria áreas agrícolas importantes, além de passar bastante próximo ao aqüífero de Ogallala, que fornece água potável a 8 estados americanos. Um derramamento em áreas importantes como estas seria uma catástrofe ecológica sem precedentes.
Do ponto de vista econômico, o interesse no oleoduto é baseado na estatística que sua construção geraria em torno de 20 mil empregos diretos. Outro ponto a favor é o fato de 75% do consumo estadunidense de petróleo ser oriundo de países controlados por ditadores ou radicais religiosos. A construção do oleoduto certamente tornaria o país menos dependente das importações dos países considerados hostis. A polêmica esquentou quando um grupo de ambientalista denunciou uma série de vínculos entre a máquina pública da política americana e a empresa TransCanada. Ou seja, se coloca em dúvida se o gasoduto é realmente de interesse da nação. Ambientalistas afirmam que existem interesses alheios neste cenário.
O Presidente Barack Obama, que até então manifestou seu ponto de vista ambiental a respeito, resolveu postergar a decisão final da implementação ou não do oleoduto para 2013. Coincidentemente logo após as novas eleições presidenciais norte-americanas. Com certeza muito se perguntará durante sua campanha sobre as medidas que seu governo irá tomar a respeito de Keystone XL, caso reeleito. A verdade é que em torno de Obama não rondam apenas empresas poderosas que pressionam a favor do oleoduto, mas também pessoas relacionadas à alta cúpula do governo, pessoas as quais são peças chaves para a sua reeleição. No momento, é mais conveniente contornar a situação postergando sua decisão final, pois assim, Obama não compromete sua reputação com nenhum dos lados nesta guerra de interesses.
A procura pela auto-suficiência energética é uma das maiores preocupações do século 21, conduzindo diversos países a travarem guerras por fontes de energias, principalmente as fósseis como o petróleo e o gás natural. E a água? Por que ela ainda não é tão discutida (ou é, e nós ainda não queremos coloca-lá no debate) como o petróleo e o gás natural? Quanto tempo demorará a ser um recurso altamente cobiçado?
A água também é um recurso capaz de gerar energia, mas é fundamental para produção de alimentos. A FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura, já fez alertas sobre o crescimento populacional demasiado nos próximos anos e a falta de alimentos ocasionada pela escassez de terras e, principalmente, de água. Além disso, problemas de salinização e poluição dos lençóis freáticos e de degradação de rios, lagos e outros ecossistemas hídricos tem colaborado fortemente com a falta de água.
Vendo essa problemática, companhias chinesas já estão se preparando para fazer uso racional e correto da água, antes que altas tarifas para o uso da mesma surjam. Segundo o relatório "China’s rising climate risk", a China tem 31 províncias sofrendo de carência extrema de água e 11 apresentando insuficiência de água. O governo chinês reconhece a urgência em utilizar menos água nos processos industriais e investir em projetos que aumentem a eficiência na irrigação rural. A China pretende investir US$ 63 bilhões em projetos que envolvam economia e controle de poluição de água até 2020.
Utilizar os recursos hídricos de maneira racional será uma tendência global para as empresas lucrarem mais no futuro, principalmente se a escassez de água se agravar...

Compósito polimérico pode ser definido basicamente como um material estrutural resultante da combinação de polímeros com fibras de reforço trabalhando em sinergia. Normalmente essa união é constituída por uma matriz que confere a forma ao produto ou a peça e que transfere os esforços para uma fibra de alta resistência. É claro que fabricação de um produto acabado feito de compósitos não se resume somente à matriz polimérica e reforços. Usualmente são incorporados diversos tipos de agentes durante o processamento, como aditivos químicos, desmoldantes, massas e gel coats, além da possível inserção de núcleos. Em fim, dentre as infinitas combinações, a maior quantidade de material utilizado consiste justamente nas resinas, que podem ser termofixas ou termoplásticas e nos reforços.
Detendo-se mais especificamente às fibras, essas são encapsuladas pela matriz polimérica e podem ser consideradas um capítulo a parte na indústria de compósitos. Os reforços mais importantes são os em fibra de vidro e de carbono, entretanto existem as fibras de aramida, de poliéster, naturais, entre outras.
No Brasil, as fibras de vidro são largamente utilizadas, pois apresentam preços acessíveis e performance satisfatória em diversos segmentos como náutica, transportes, construção civil, entre outros. A fiberização do vidro ocorre a partir de uma mistura de minerais moídos e introduzidos em um forno em temperaturas elevadas da ordem de 1400 a 1500 °C. Já as fibras de carbono normalmente apresentam o precursor PAN (poliacrilonitrila) e suas aplicações estão principalmente vinculadas à indústria aeronáutica, espacial e, mais recentemente, na eólica. Pelas aplicações, é possível notar que as fibras de carbono são consideradas reforços onde é requerido alto desempenho. E mais, além da alta resistência e rigidez desse reforço, a fibra de carbono consegue aliar leveza ao produto ou à peça produzida. No entanto, o custo das fibras de carbono comerciais é bem mais elevado, quando em comparação a fibra de vidro.
Com o crescente interesse ecológico, as fibras naturais surgiram na indústria de compósitos como uma alternativa barata. No Brasil, as fibras vegetais mais usadas são as de curuá, empregadas em peças de acabamento interno de automóveis, e as de cana-de-açúcar, apresentando aplicações em postes e mourões. Entretanto, o uso das fibras naturais é restrito devido às propriedades serem muito baixas quando em comparação com as fibras sintéticas. Além disso, a pouca compatibilidade com a matriz polimérica e a higroscopicidade são outros que impedem os avanços na utilização das vibras vegetais na indústria de transformação de materiais compósitos.
Enfim, todas as fibras apresentam propriedades mecânicas e químicas específicas e intrínsecas, pois são oriundas de materiais e de processos diferentes. Com isso, e sem dúvida, a escolha de um reforço depende muito do esforço mecânico e ambiente químico ao qual a peça ou produto será exposto. Com esta avaliação nota-se que para se selecionar a fibra ideal é necessário conciliar o desempenho requerido da peça com o custo do reforço propriamente dito. Assim, percebe-se que não existe um único tipo de fibra a ser empregado despontando como tendência, mas sim, uma variedade de reforços que podem se adequar às exigências do produto fabricado aliando custo competitivo...

No Brasil, é possível observar, nos últimos meses, diversos movimentos de empresas químicas para entrarem no mercado de produtos derivados de fontes renováveis. Porém isso não está acontecendo apenas por aqui. A Europa está encontrando nesse setor verde uma oportunidade de crescimento, já que vem sofrendo com a competição de empresas químicas e petroquímicas da Ásia e Oriente Médio, principalmente devido a suas plantas serem antigas enquanto as da Ásia são relativamente novas. As empresas européias estão reconsiderando suas estratégias, e a tendência é que isso aumente com o passar dos anos.
Um exemplo é a italiana Polimeri, do Grupo Eni, que em 2011 anunciou a formação de uma joint venture com a Novamont, produtora de bioplásticos, e o objetivo é construir um complexo de bio processamento de sete unidades de US$ 704 milhões, que produzirá monômeros, polímeros e aditivos, todos bio based. A unidade deverá estar pronta em 2014. Para fornecer energia ao complexo, a Eni planeja investir em uma estação que produziria energia a partir da biomassa. A holandesa DSM anunciou um projeto de ácido succínico derivado de fontes renováveis na Itália. A norte-americana BioAmber já opera uma planta biobased do mesmo produto na França.
Conforme já comentado nesse blog, sustentabilidade, verde, bio based, são palavras cada vez mais citadas por empresas, independente do setor em que estão. Além da Europa, empresas químicas da Ásia também estão investindo no negócio verde, porém em menor escala do que observamos na Europa.
Os setores de P&D das empresas estão fazendo sua parte, já que de certa maneira, é necessário baixar o custo da produção verde, para que esse seja competitivo. E, em escala industrial, o custo tende a diminuir ainda mais. Também estão sendo feitas pesquisas para utilizar materiais que não sejam direcionados a alimentação humana, como os resíduos urbanos, resíduos de florestas e desperdícios de alimentos.
E o Brasil tem que aproveitar essas oportunidades, já que possui capacidade de, por exemplo, plantar cana-de-açúcar em grande escala, o que facilita a produção do plástico verde da Braskem, por exemplo.
Claro que está no começo, mas finalmente a descoberta de reservas de gás natural proveniente de fontes não convencionais no Canadá e nos EUA estão repercutindo na geopolítica mundial. Não é por acaso que investidores asiáticos incentivaram e começaram a participar dos projetos energéticos de fontes não convencionais de gás natural na América do Norte no inicio da década. Eles estão mirando se afastar da dependência do carvão, que ainda é a principal matriz energética da região, assim como também não querer se submeter a ter que pagar pelo caro petróleo vindo do Oriente Médio.
A verdade é que a China e as demais nações asiáticas querem não ter que apelar para a energia nuclear e muito menos continuar na era do carvão. Trocar a matriz de energia é prioridade, aumentando assim a pegada de carbono e a segurança energética. Para tal o gás natural é a solução mais viável em curto prazo. Nessa comparativa cabe uma análise interessante: enquanto a China se preocupa em uma transição de uma fonte fóssil para outra, os EUA querem aumentar sua capacidade de energias renováveis e se livrar de uma parcela da energia fóssil. Ou seja, ao grosso modo, a China quer o gás natural e os EUA estão dispostos a se livrar do excesso dele, até porque enquanto o gás natural estiver abundante nos EUA, ele limita muito a competitividade de fontes renováveis no país.
Só que as implicações desse comércio, caso venha realmente acontecer, não são apenas devido a difícil logística de exportação, onde EUA e Canadá deveriam construir estações de liquefação de gás natural junto a costa para então efetuar o transporte por navio-tanque. O complicado seria a forma como esse comércio altera a geopolítica mundial, onde os países que abastecem o mercado asiático sairiam significativamente prejudicados, no caso a Rússia e os países do Oriente Médio.
Em meio a tudo isso os países asiáticos buscam também estreitar suas relações econômicas e políticas com a América do Norte, só que isso implica em esfriar relações com antigos aliados, principalmente com a Rússia. Com certeza essa balança de relações pode mudar, e o conflito de interesses será motivo para muitas outras mudanças geopolíticas. Resta saber se ambos os lados irão superar as pressões internacionais para concretizarem esse ousado projeto de comercialização energética.
O documentário Gasland e jornais como o The New York Times polemizaram ainda mais a questão da contaminação causada ao meio ambiente pelo processo de extração do shale gas nos EUA. Em 2010 mais de 35 mil poços foram perfurados em solo americano e 120 mil processos de fratura hidráulica, conhecida como “fracking”, foram executados. Com isso, surge a pergunta: quantos casos efetivos de contaminação foram realmente identificados e confirmados? Até o momento, nenhum... Mas onde entra a Austrália nesse contexto??? Simplesmente pela possibilidade de lucrar muito com este recurso, algo estimado em US$ 500 bilhões.
Com o desastre de Fukushima no Japão, o governo desistiu de ampliar em 37% a contribuição da energia nuclear na matriz energética. E devido a esse recente incidente, o governo japonês considera o gás natural como peça fundamental para suprimir a demanda energética do país. Hoje o Japão consome em torno de 3,5 trilhões de pés cúbicos (Tcf) de gás por ano, dos quais 3,3 são importados. Para atender o consumo de gás e preencher a lacuna deixada pela energia nuclear, o Japão precisará importar quantidades de gás acima de 4.8 Tcf por ano.
E a polêmica na Austrália gira justamente em torno dos 400 Tcf de shale gas que esse país possui. Sabe-se que parte dessa riqueza será explorada para atender ao mercado doméstico de gás, mas a possibilidade de exportação desse combustível tem se tornado muito atrativa. Por ano, os australianos realizam cerca de 800 processos de fratura hidráulica (muitíssimo menos que os EUA), contudo esse panorama está para mudar em breve, pois o capitalismo é ágil e essa oportunidade com certeza não será desperdiçada. No entanto, a exemplo dos EUA, o que está desacelerando o desenvolvimento da prospecção do shale é a possibilidade desse gás ser pernicioso ao ambiente e aos aqüíferos.
Para intensificar os debates sobre o shale, sabe-se que hoje os chineses utilizam cerca de 3,3 Tcf de gás natural por ano cuja fonte é 95% oriunda da própria China. Contudo, a energia gerada a partir do gás representa somente 4% do total do mix energético chinês. Não obstante, o governo chinês criou um decreto de que até 2020 o gás natural deve fornecer cerca de 10% da energia total gerada no país. Sem dúvida, essa medida representa aumento exponencial no consumo de gás e o que mais importante a ser mencionado, a China não possui reservas de gás para atender essa feroz demanda... Logo, favorecida geograficamente, a Austrália enxerga ser ainda mais lucrativo investir na perfuração dos sues poços de shale gas.
Os opositores ao shale devem assumir que o motivo é uma aversão a todos os combustíveis fósseis na era dos presumidos alternativos. Na busca pela sustentabilidade, o shale pode ser tranquilamente uma fonte energética de transição, além de ser fonte de matéria-prima para a indústria petroquímica australiana, como é nos EUA. O Brasil também possui reservas de shale, localizadas mais ao Sul do país, sendo que essas são estimadas em 226 Tcf. Contudo, essa informação repercute na mídia? Algum investimento tem sido feito para desenvolver a tecnologia e aproveitar esse recurso? Se ocorrem, são movimentações bastante sigilosas. A Argentina, apesar de possuir reservas 3 vezes maiores que as brasileiras, já investe no shale...

Existiu um tempo em que ver toda aquela fumaça exaurindo das chaminés das fábricas nos grandes pólos industriais era sinônimo de desenvolvimento e progresso econômico. Hoje, com toda a consciência ambiental que se formou em volta das alterações climáticas dos últimos anos, o conceito de desenvolvimento está começando a mudar.
A utilização de fontes renováveis de energia teve como motivador não só os problemas ambientais de aquecimento global, mas também o medo de que um dia a energia fóssil iria acabar. Com base nisso foram surgindo alternativas energéticas, como tirar energia do vento, do sol, da água e de resíduos orgânicos. Porém financeiramente falando, essas não eram das práticas mais atraentes, visto que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento eram muito altos e o retorno energético não era comparável a energia vinda do petróleo.
Suspeitando que este cenário esteja mudando, o The Brookings Institution fez um estudo que revelou os verdadeiros impactos econômicos da dita economia verde. Os resultados mostraram que no contexto global ela é tanto quanto favorável, principalmente em tempos de crise. Um dos aspectos que mais reforçam essa conclusão está sob a ótica da geração de empregos, onde foi constatado que a economia verde emprega mais pessoas do que a economia fóssil, segundo levantamento feito no país mais industrializado do mundo, os EUA. Além do mais, os empregos englobam uma grande faixa de níveis de escolaridade e produção.
A explicação disso na verdade é bem simples: à medida que os países se empenham em minimizar as emissões de gases do efeito estufa eles proporcionam um incentivo notável ao desenvolvimento de tecnologias limpas, o que de uma forma ou de outra movimenta a economia e impacta em ações para o desenvolvimento social da região em que se está atuando. Essas políticas energéticas contribuem para a disseminação e aceleração do emprego, diminuindo a taxa de desocupação e, conseqüentemente, reduzindo a desigualdade econômica.
O estudo traz ainda uma análise do retorno que os investimentos em novas formas de energia têm trazido, e faz boas referencias de como a energia limpa está sendo encarada não apenas dentro do aspecto ambiental, mas também como um negócio. Um negócio que por sinal é muito rentável e se enquadra dentro do mundo consumidor, onde a fruição de bens e serviços são os alicerces do mundo capitalista.
Tudo leva a se concluir que não é por nada que as notas de dinheiro são conhecidas como “verdinhas”. Brincadeiras a parte; por vezes se pode pensar no contraditório ao se dizer que as práticas de sustentabilidade são consumistas. O detalhe é que esses novos conceitos transcendem o padrão, rompem o tradicional e estabelecem novos parâmetros e, portanto, não se enquadram em nossa avaliação comum.
Essa nova visão de utilização da energia é uma questão de dimensões globais, que atinge o mais alto grau de importância na política mundial. Basta lembrar que os grandes acontecimentos da história do homem passam por marcos na busca energética: foi a energia que propiciou a revolução industrial, dando novas diretrizes a um mundo que até então era feudal; assim como é por disputas energéticas que se fazem as guerras nos dias de hoje. Com isso se exemplifica e evidencia o quão difícil será a transição de idéias em relação às matrizes energéticas, mesmo tendo em vista que agora os interesses financeiros e ecológicos não são tão conflitantes. Ainda assim, o que permanece é que a energia é o ponto de partida para o desenvolvimento humano e devemos achar um meio de se moldar de uma forma organizada e gradual aos novos padrões que estão se consolidando para abastecer as futuras gerações.
Após intensas pesquisas de desenvolvimento de materiais compósitos, a Huntsman Advanced Materials, projetou iate de competição para regatas internacionais de alta performance, nomeado “CODE8”. Nesse projeto foram selecionados materiais específicos, entre eles a fibra de carbono, conforme as propriedades mecânicas e superficiais, além da possibilidade de confeccionar peças com alta precisão dimensional.
O casco e convés foram fabricados a partir de um molde, usando um sistema de cura a quente através do processo de infusão a vácuo. A colagem das partes do iate foi feita utilizando adesivo epóxi, apresenta boa resistência às intempéries e impermeabilidade à água.
A Huntsman salienta que o CODE8 foi fabricado nos mais altos padrões de qualidade, além disso, os estágios de desenvolvimento e de produção foram rápidos, sendo que o primeiro modelo do iate CODE8 teve sua fabricação finalizada em 4 meses.

A definição clássica de compósito é combinar dois materiais a nível macroscópico em pelo menos duas fases distintas para criar um material com propriedades superiores às dos materiais separados. Um exemplo tradicional de compósito termofixo, e que pode ser descrito de maneira bem simplificada, é a combinação de resina poliéster e fibra de vidro. As aplicações desses materiais se estendem por vários segmentos destacando-se principalmente nas áreas de transporte e infraestrutura. Esse setor da indústria de transformação está ganhando cada vez mais espaço e se desenvolvendo de forma exponencial no mundo. No Brasil a evolução apresentada não é diferente, sendo que o faturamento da indústria de compósitos termofixos no ano de 2010 foi de aproximadamente U$ 1.595 bilhões, além disso, o crescimento médio anual do faturamento desse setor da indústria nos últimos anos ronda a casa dos 11%. Apesar de milhões de toneladas serem transformadas anualmente em todo o mundo, sua representatividade em aplicações gerais ainda é baixa quando comparada com outros materiais como aço, madeira, alumínio, resinas termoplásticas, entre outros.
Há algumas barreiras que dificultam o desenvolvimento dos compósitos termofixos em substituir alguns materiais em determinados mercados, destacando-se a dificuldade em reciclar esses materiais. Hoje dar um destino nobre aos resíduos se tornou uma necessidade em todos os setores, não só pelos custos envolvidos em dispor imensas quantidades em aterros, mas também pela possibilidade de poder reaproveitá-los como matéria-prima. Ao contrário das resinas termoplásticas, as resinas termorrígidas apresentam reticulações entre as cadeias poliméricas e, por esse motivo, não podem ser simplesmente reprocessadas para gerar um novo produto. Além disso, os compósitos termofixos podem ser fabricados a partir de diferentes materiais: resinas diversas, vários tipos de reforços estruturais e outros componentes que podem ser incorporados ao compósito. Justamente pela possibilidade de se formular um compósito com infinitas combinações, perde-se em homogeneidade do resíduo, dificultando a reciclagem do mesmo.
Vendo essa problemática, a comunidade científica tem se empenhado fortemente na pesquisa e no desenvolvimento de técnicas de reciclagem para os compósitos termofixos. Hoje há basicamente dois tipos de reciclagem para esses materiais: a mecânica e a térmica. A reciclagem mecânica consiste basicamente na redução do tamanho do resíduo, transformando-o em pó ou em “novas fibras”, podendo ser reutilizados como reforço em novos produtos. Já a reciclagem térmica pode ser realizada da maneira tradicional empregada para os resíduos termoplásticos, ou seja, recuperar a energia contida nos compósitos termofixos a partir da queima dos mesmos, pois esses materiais apresentam poder calorífico semelhante ao do carvão de boa qualidade. Além disso, o resíduo sólido gerado pela queima pode ser empregado para a fabricação de cimento. Com certeza a reciclagem térmica é um processo mais sofisticado, atualmente está em desenvolvimento um processo para separar as fibras da resina do compósito em leito fluidizado utilizando o calor. Essa técnica produz fibras recicladas de alta qualidade, sendo que o foco está na recuperação de fibras que carbono, pois o custo no mercado destas fibras é elevado.
Analisando esse cenário, percebe-se a reciclagem dos compósitos termofixos ainda é um desafio, pois se esbarra em um custo ainda elevado e acaba perdendo em competitividade em relação a materiais concorrentes. Por outro lado, a produção desses compósitos está consolidada como uma alternativa viável quando se busca um produto cuja aplicação está relacionada com o desempenho e, em determinados mercados, com redução de custos. Sem dúvida, a indústria de compósitos termofixos deslanchará definitivamente no momento em que a reciclagem desses materiais se tornar uma realidade comercialmente viável...
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