Reflexões do WPC 2018

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A 33ª edição da World Petrochemical Conference, que ocorreu ao longo de toda a semana passada em Houston, bateu recordes de participação. Mais de 1300 inscritos de 50 países ouviram dos mais experientes consultores e líderes empresariais uma série de boas notícias para a indústria petroquímica global, além de algumas questões para reflexão. Resumindo a semana em alguns pontos:

 

– A economia mundial está em uma fase de expansão bastante robusta, com crescimento sincronizado entre as maiores economias (EUA, China, UE e Japão), fim da recessão em emergentes como Rússia e Brasil, além de poucos riscos para uma desaceleração mais brusca. As previsões são boas, apesar dos riscos com potencial para tirar a economia global dos trilhos, sendo que a guerra comercial iniciada pela administração Trump seria a ameaça mais premente (ano passado era a saída do NAFTA, ainda não totalmente descartada). Por enquanto, as previsões seguem sendo revisadas para cima, atualmente com incremento de 3.4% no PIB mundial para esse ano.

 

– A demanda por produtos petroquímicos vem sendo positivamente afetada pelo robusto crescimento da economia, com a maior parte dos produtos crescendo em linha ou acima da expansão do PIB.

 

– Os custos de produção de produtos petroquímicos permanecem baixos em função dos preços moderados de petróleo. A América do Norte segue beneficiando-se da competitividade de seu gás natural, à medida que não há no horizonte nenhuma previsão de elevação drástica dos preços dessa fonte de energia e, portanto, o etano americano seguirá atraindo grandes projetos de investimento no médio-prazo.

 

– O Brasil aparece bastante bem nesse ponto, pois, dentre todos os países, deverá ficar atrás apenas dos EUA no crescimento da produção de petróleo nos próximos 5 anos, sendo o volume de investimentos na proporção do PIB muito maior no caso brasileiro.

 

– Uma série de investimentos em novas capacidades de produtos petroquímicos segue avançando. Mas atrasos nas partidas de algumas plantas, em boa medida por conta de fatores climáticos (sobretudo por conta do furacão Harvey), cancelamento de outras, em conjunto com a forte demanda, fizeram as projeções do balanço global apertar de forma significativa, melhorando substancialmente os níveis operacionais e margens do negócio petroquímico para os próximos anos.

 

– Com todo esse cenário positivo, saiu das projeções o período de baixa rentabilidade que se iniciaria em 2018 e que duraria apenas até 2019. As novas previsões são no sentido da manutenção de elevada rentabilidade esse ano e no próximo, estendido até o horizonte previsível, com risco de se transformar em um superciclo. Evidentemente, nem todas as linhas de produtos desfrutarão do ciclo de alta estendido, mas sim as mais importantes, como eteno, propeno e vinílicos, além de seus derivados.

 

– Há uma crescente preocupação da indústria com relação à imagem dos plásticos e a economia circular. Também há uma grande distância na imagem dos plásticos que a indústria enxerga em relação ao que o público percebe. Com razão, os governos, as entidades e o público em geral estão extremamente preocupados com o lixo plástico que chega aos rios e oceanos. Há um consenso que isso não pode continuar e que a indústria tem que agir rápido para evitar que mais lixo chegue a esses frágeis ecossistemas. Nesse sentido, a indústria petroquímica e de plásticos tem muito ainda por fazer.